Convivência Com o Próximo-Aprendendo a dizer não

16 nov 2010 | By

Dependendo do grau de submissão que sentimos em relação à opinião dos outros sobre nós mesmos, percebemos maior ou menor dificuldade em dizer não. As vezes essa dificuldade é conseqüência do medo de parecermos egoístas, gros-seiros, chatos, difíceis de lidar ou coisas assim.

É fundamental para nosso bem-estar e para nosso senso de liberdade sabermos dizer não ou, caso contrário, podemos arriscar boa parte de nossa felicidade (e até da felicidade de nossos familiares) em função do outro.

Além das dificuldades que aparecem ao tentarmos conciliar a sobrecarga dos afazeres de tudo aquilo que nos pedem e que não tivemos coragem de dizer não, corremos o risco também de nos frustrarmos ou deprimirmos diante da sensação de estarem se aproveitando de nós. Outras vezes não conseguimos dizer não por temermos que, se recusarmos um pedido de alguém, essa pessoa vai deixar de gostar da gente, ou por temermos que o outro tenha alguma atitude agressiva.

Na realidade esses temores de que pense algo pejorativo a nosso respeito, só por recusamos alguma coisa, é um sentimento que nasce primeiro dentro de nós mesmos e, em seguida, acabamos projetando-nos outros como se deles se originasse. Indiretamente é um indício de insegurança ou, pior, de alto-estima baixa.

Dizer sempre sim, por qualquer motivo que seja, pode trazer outros tipos de problemas. Concordar só para ter a imagem pessoal melhor aceitável e depois descobrir que não podemos cumprir o prometido costuma ser muito pior que dizer um não decidido e educado logo de início. Concordar com tudo e perceber depois que estamos tendo de fazer alguma coisa completamente contrária à nossa vontade, pode gerar conflitos de conseqüências emocionais muito danosas. Ainda há o risco de fazermos alguma coisa contrariada e, portanto, muito mal feita. Sem dúvida, isso não vai melhorar nossa reputação e nem tampouco agradar os demais como pretendíamos.

Estando nossa auto-estima satisfatória, teremos consciência de que os outros, principalmente aqueles que convivem conosco, já têm razões de sobre para nos julgar positivamente, para reconhecerem nossa competência, capacidade e nossos valores independentemente de nossa pretensa servidão incondicionais. Aliás, é bom que a opinião dos outros sobre nossa pessoa tenha outras razões de admiração além da simples servidão.

Todo mundo tem certa necessidade der ser amado e admirado, mas essa necessidade é tão mais presente quanto mais dúvidas temos de estarmos, de fato, sendo amados e admirados. Ora, essas dúvidas surgem em pessoas inseguras e com algum prejuízo da auto-estima.

Há várias maneiras de dizer não sem depreciarmos nossa imagem pessoal. Arranjando desculpas mentirosas é a pior delas e não costuma funcionar por muito tempo. Um não, firme, incisivo e ao mesmo tempo educado e gentil é a maneira que melhor funciona. Frases do tipo “… gostaria muito de fazer isso para você, entretanto, infelizmente, já havia marcado um compromisso anteriormente…” Ou então, “… gostaria muito de fazer isso para você, entretanto, infelizmente, tenho que terminar algumas coisas antes e não poderei fazer o que me pede da maneira como gostaria…” ou, por exemplo, “… eu teria imenso prazer em emprestar-lhe esse dinheiro se não estivesse completamente duro no momento…”

Os reais motivos para o não devem ser disfarçados por aquele que nega, tendo em vista dois fatores: primeiro devido à própria natureza humana e, em segundo lugar, o modelo dos papéis sociais. Vamos explicar:

O que poderia acontecer se disséssemos com sinceridade o real motivo para o não, tal como, por exemplo, “… não me sentiria bem fazendo isso…” ou ainda “… preferia não fazer isso que me pede…” O outro, tal como nós mesmos, sempre se acha certo no direito de pedir, sempre acha que os demais poderiam ser colaborativos, sempre acha que não custa nada aos outros fazerem o que pedem, portanto, preservando o que achamos justos para nós, pareceremos ao outro estar sendo arrogantes, egoístas, com má vontade e coisas assim. Desista de achar que o outro entenderá e respeitará sua opinião sobre aquilo que nos daria melhor bem-estar, principalmente quando nosso bem-estar contraria o bem estar desse outro.

Em segundo lugar, os modelos dos papéis sociais implicam em desempenharmos socialmente atitudes já esperadas no contrato social. Dizer que não podemos fazer porque estamos sobrecarregados, que estamos desconfortáveis de alguma forma, que estamos em alguma desvantagem e por isso não podemos fazer o que nos pedem, embora até gostássemos de fazer, terá sempre um efeito muito mais justificável do que não fazer apenas porque não gostamos de fazer ou porque preferimos não fazer. A sinceridade absoluta não é uma postura socialmente bem compreendida, embora seja demagogicamente recomendada como mérito. A sinceridade só tem mérito quando não contraria expectativas.

À primeira vista essa orientação pode parecer um estímulo à mentira. Na realidade é mais um estímulo à convivência social. Alguns psicólogos que tratam do assunto recomendam que a pessoa seja assertiva, faça argumentações sinceras para não sofrer conflitos e não se achar mentiroso. Mas nós estamos estimulando a convivência social e incentivando a pessoa a dar-se bem com seu próximo.

Vejamos o caso de você dizer à outra pessoa “… seja franco e sincero; você poderia me emprestar algum dinheiro?”. O que você sentiria se, apesar de ter pedido (demagogicamente) sinceridade, esse alguém lhe respondesse “…não, não empresto dinheiro à você porque não quero emprestar, apesar de tê-lo…” ou então, “…não empresto dinheiro à você porque tenho por princípio não emprestar dinheiro aos outros…”? No primeiro caso, além de arrogante e egoísta, a pessoa parecerá também sovina, insensível e desumana, apesar de responder com a pura verdade, no segundo caso, além de arrogante (no direito de ser cheia de princípios), foi pior ainda por considerar você, essa pessoa tão especial, simplesmente junto com todos “os outros”.

Esse texto trata de APRENDER A DIZER NÃO. Como dizer não, todos já sabemos, mas aprender a dizer não de forma a preservar nossa convivência com o próximo e, conseqüentemente, conosco mesmo, precisa ser aprimorado. Na realidade, trata-se de uma maneira de não fazer tudo o que nos pedem, sem ter que dizer não ostensivamente. Pode não ser politicamente correto mas funciona.

Fonte: Convivência com o próximo

Edição Antonella Barcelos

Equipe Black Angel

6 comentários em “Convivência Com o Próximo-Aprendendo a dizer não

  1. Elvira SLNo Gravatar disse:

    É… Depende a quem se aplica…
    Tipo, se for de um empregado para o chefe, é claro que tem que ter jeitos e trejeitos shuahsuahsuahsausha
    Mas se for para pessoas próximas, não vejo motivos para rodeios. Tipo… Meu namorado fez conta no meu nome, atrasou pagamentos, meu nome tinha ido pro SPC, fiquei P da vida com ele. Ele limpou meu nome pagou tudo, mas e daí?? Nunca mais confio meu nome pra ele e ele sabe disso, nem adianta vir pro meu lado que já sabe a resposta, um NÃO sem rodeios, e se insistir jogo na cara o porque. :angry:

    1. kkkkkkkkkkkkkkkkkk, eitha muié porreta tchê … adorei comentário Elvira^^..

  2. Acredito que toda relação que contenha bastante diálogo (uma maneira de conhecer seu parceiro e ele te conhecer), acaba não se fazendo necessário utilizar tanto o não, pois o outro será intuitivo. Mas se for necessário, fale, não tenha medo.

    Beijokas

    1. kkkkkk verdade linda , porém o não ai é abordado não apenas em relações amorosas, mas em geral, aprender a dizer não em qualquer ocasião que se faça necessário ^^ muackk adorei o comentário bjuss …

  3. RickReymondNo Gravatar disse:

    Muitas vezes nao é preciso dizer não as pessoas que nos rodeiam, ao olhar para nossa cara ja entendem oq iremos falar … hehehehe :alien:

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