Daniel Ellsberg X Julian Assange, considerados as 2 maiores ameaças das Américas

20 dez 2010 | By

Daniel Ellsberg X Julian Assange, considerados as 2 maiores ameaças da terra por denunciarem e divulgarem via imprensa,  as atrocidades dos governos mais poderosos do mundo.

O PRIMEIRO GRANDE VAZAMENTO DA HISTÓRIA. Documentário sobre Daniel Ellsberg. o ex-funcionário público que revelou os Papéis do Pentágono, com a ajuda do jornal The New York Times – documentos secretos mostrando como cinco presidentes mentiram à nação sobre a guerra do Vietnã formam vazados.. Ellsberg foi condenado por conspiração e espionagem e passou 15 anos na cadeia. Hoje apoia o fundador do Wikileaks
Mas suas denúncias – foram determinantes, para a queda do presidente Nixon no escândalo de Watergate.

Ficou conhecido como “The Pentagon Papers”, iniciado em 1971, quando Daniel Ellsberg – economista por Harvard, ex-militar e diretamente ligado à Inteligência dos EUA – indignado com a atuação e a persistência na demência (quase que, “OTAN-afegã”, fazendo aqui um paralelo os dias de hoje, 40 anos depois), decidiu começar a “vazar” (“leak” que dizer “vazamento”), junto ao jornalista Neil Sheenan do The New York Times, o mais secreto dos documentos dos Estados Unidos à época.

Em março de 1971, Ellsberg disponibilizou para o jornalista a primeira remessa (para se ter uma idéia da quantidade de informações) com 40 volumes do extenso relatório do Departamento de Defesa sobre as relações e intromissões dos EUA no Vietnã desde 1945 (quando o Vietnã apenas queria sua independência, e dos outros) até 1967.

Já neste ano, quando a WikiLeaks vazou as imagens de atrocidades cometidas por helicópteros dos EUA no Iraque (veja trecho na entrevista de Assange ao TED), Ellsberg, do alto de seus 79 anos de idade, não se furtou a vir a público (onde encontrou espaço numa cada vez mais rarefeita mídia livre e corajosa) em defesa da WikiLeaks, de Assange e, principalmente, do abandonado, jogado aos leões, oficial Bradley Manning, que está preso , acusado de ter sido o responsável tanto pelo vazamento das imagens quanto das Mensagens Diplomáticas, os “Cables”.

É impressionante como a História gira sem sair do lugar por muito e muito tempo seguidamente.

São precisos sempre “loucos” e “irresponsáveis” (ou líderes, como os “anafalbetos” e “ditadores” do nosso Continente – pois tenha a certeza de que uma coisa precipita a outra e tudo está inteligado, como nós via essa Rede, tudo ao mesmo tempo agora)  para que todos – como na mitologia recente ou na fraseologia da Revolução Chinesa – para que todos batamos os pés ao chão todos ao mesmo tempo e que a História desloque, ao menos um pouco, seu eixo.

Impressiona pois a similaridade – diferenciada somente pela tecnologia disponível em cada época – tanto dos fatos motivadores, gatilhos detonadores, causas e interesses envolvidos bem como as ações, reações, manhas, artimanhas e a movimentação dos atores como num tabuleiro de xadrez. Com certeza, o bom enxadrista, o estudioso – neste caso, o conhecedor profundo da história recente –  já deve ter em mente os próximos lances deste desumano humano jogo de poder e querer a verdade. Com a consciente ressalva, é claro, de que o jogador muda o jogo e existe jogador consciente também do outro lado.
Uma Guerra, porém, não menos insana que as que continuam em andamento agora, exatamente agora, inapelável e inadiávelmente agora, enquanto Julian Assange preso, todos nós gastamos nossos teclados e salivas em discussões inúteis sobre a psicologia do “vazador”, dos canos, dos furos e dos “vazados”, enquanto sonhos continuam a vazar por entre as mãos de milhões de pessoas, pessoas e famílias (inclusive irmãs/ões estadunidenses) continuam sofrendo ou parando definitivamente de sofrer via morte (apesar de tudo, não desejada e, muito menos – tal qual a “Democracia do Iraque” -, não solicitada).

Desabafo de Julian Assange:

 -Tenho sido acusado de traição, mesmo sendo um australiano, e não um cidadão dos EUA.

Foram dezenas de telefonemas graves dos Estados Unidos da América para que eu seja “levado embora” por forças especiais dos EUA.

Sarah Palin diz que eu deveria ser “caçado como Osama bin Laden”.

Um projeto-de-lei do Partido Republicano tramita no Senado dos Estados Unidos da América para que eu seja declarado uma “ameaça transnacional” e, em conformidade, eliminado.

Um assessor de gabinete do Primeiro-Ministro do Canadá tem clamado, na Televisão pública Nacional, pelo meu assassinato.

Um blogueiro americano pediu para que meu filho de 20 anos, aqui na Austrália, fosse seqüestrado e maltrado por nenhuma outra razão que não seja chegarem até mim.

E o povo australiano precisa estar atento para nossa desgraça e vergonha diante da sensibilidade de alcoviteiros como do Primeiro-Ministro Gillard (Austrália) e da Secretária de Estado dos EUA que não tiveram uma palavra sequer de crítica dirigida às outras organizações de mídia.

Isso porque o The Guardian, The New York Times e Der Spiegel são antigos e grandes, enquanto o WikiLeaks é ainda jovem e pequeno.

Nós somos os oprimidos.

O governo Gillard está tentando matar o mensageiro porque não quer a verdade da mensagem revelada, incluindo as informações sobre suas próprias negociações diplomáticas e políticas.

Houve qualquer resposta do governo australiano para as numerosas ameaças públicas de violência contra mim e outros profissionais da equipe WikiLeaks?

O mínimo que deveríamos esperar de um Primeiro-Ministro australiano seria defender seus cidadãos contra tais coisas, mas houve apenas alegações inteiramente infundadas de ilegalidade.

O Primeiro-Ministro e, especialmente, o Procurador-Geral têm o mandado e a obrigação de exercer as suas funções com dignidade e acima da brigas.

Antes do caso atual, Assange já havia assombrado o mundo com a divulgação de documentos sobre a atuação das forças da OTAN no Iraque e Afeganistão, o que revelou inimagináveis abominações mesmo para as mentes mais maquiavélicamente férteis e iniciou a relação de “amôr explícito” para com sua pessoa, por parte dos Departamentos de Estado e Defesa bem como das agências de inteligência, assemelhados e coligados tanto nos Estados Unidos como nos seus aliados, alinhados ou “sublinhados”.

E, mais difícil, conseguirmos desvestir as vestes da história com que vestiram a nossa história e que já nos agasalham tão confortavelmente o nosso “conhecimento consolidado”.

http://otherstreams.blogspot.com/2010/12/o-ultimo-texto-dinamite-pura-de-julian.html

Edição: Rick Reymond

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