Japonismo & Neo-Tokyo

14 jul 2010 | By

A história é famosa: em meados do século XIX, pintores europeus cansados com a pintura vigente começaram a fugir dos padrões de arte pré-estabelecidos pelas normas acadêmicas. Eles buscavam fora da Europa novas formas de figurar e compor. Na França e depois no resto da Europa houve uma febre que deram o nome de Japonismo, fenômeno esse que surgiu com a recente abertura dos portos japoneses quando começou a ser importada uma quantidade incrível de gravuras orientais.

Esta moda não teve repercussões apenas imediatas e isoladas. A recente fascinação pela arte do Extremo Oriente criou uma tradição de sua apreciação na Europa, onde ela começou a ser amplamente colecionada. Movimentos artísticos diversos como o impressionismo usavam a arte de matriz chinesa através da arte japonesa como referência. Valores como a aparente despreocupação com uma estrutura rígida de perspectiva, o desenvolvimento de uma composição que não direcionava pontos de atenção e o uso de figuras e cores chapadas, eram características que iam diretamente contra a educação formal artística da época. Artistas hoje em dia consagrados como Van Gogh, Henri Matisse e Gustave Klimt pegaram referências diretas da arte que vinha do leste e a absorveram de tal maneira que o seu corpo de obra e estilo não podem ser imaginados sem esta influência.

Hiroshige e Van Gogh

O Art Nouveau, talvez o movimento mais responsável por popularizar a arte aplicada – através de cartazes, arquitetura, objetos funcionais e decorativos – também deve muito à contaminação de arte japonesa que assolou a Europa. As raízes da linguagem formal do movimento podem ser traçadas até uma fusão da arte decorativa europeia com a arte japonesa das gravuras em madeira de Hokusai, Hiroshige e Utamaro, artistas que mais afetaram os europeus.

A influência direta e generalizada da arte vinda através do Japão na arte ocidental começou a enfraquecer com a instituição das vanguardas do começo do século XX. Apesar de ser possível reconhecer em artistas individualmente a relação direta com a arte oriental, fica difícil enxergar uma contaminação tão forte e ampla quanto a do século anterior. Mas apesar da moda da arte japonesa na Europa ter passado, ela foi de extrema importância para ajudar os artistas, tanto individualmente quanto em conjunto, a romper com as belas artes, assim como enriquecer a sempre crescente coleção de referências das quais a arte europeia começava a se apropriar.

Um detalhe importante que costumamos esquecer ao observar estas gravuras que afetaram de tal forma a inteligência européia é o de que elas não eram consideradas uma arte tão especial assim em sua terra natal . A maior parte das coisas que chegou ao ocidente eram gravuras que tinham muitas reproduções, comumente encontradas nas principais cidades japonesas. Tanto que parte das primeiras gravuras exportadas para a Europa vieram embrulhando um carregamento de porcelana ao invés de ser o objeto desejado a princípio.
Em termos do ponto de vista europeu da época esta arte seria considerada mais uma arte decorativa do que belas artes. O que nos leva a outra vertente artística popular japonesa criada um século depois desta primeira, que também irá afetar de maneira incrível o mundo ocidental. Desta vez uma arte não com matriz oriental, mas com origens no próprio ocidente, transformada pelos japoneses e depois exportada de volta que será tratada na segunda parte deste artigo. Fiquem com um exemplo.

por Pedro Moreira

Um comentário em “Japonismo & Neo-Tokyo

  1. Elvira SLNo Gravatar disse:

    As imagens off foram removidas.

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