Monólogo de um Vampiro Psíquico

12 jun 2010 | By

Monólogo de um vampiro psíquico:

“Sou o Espírito da treva, a Noite me traz e leva; moro à beira irreal da Vida…”.

Eu sou o mais tenebroso de todos os Vampiros.

Não sinto gozo somente perfurando sensíveis membranas de jugulares virginais para sentir o sabor de hemoglobina. Embora algum débil tenha afirmado que “a alma da carne esteja no sangue”, e que sangue é vida, no meu entendimento psicossomático, vejo a manifestação da alma na mente, e ela é minha!

Não preciso sujar minhas presas, nem beber sangue, para sugar a seiva anímica de alguém.

Para manter a minha eternidade, eu sugo almas, esta é uma forma mais refinada de alimentação.

Meu prazer consiste em devorar os centros; intelectual, motor, instintivo, emocional e sexual de cada ser humano. Invado as profundezas de cada vítima, em busca da pedra oculta.

Ao drenar estes centros, tenho o poder de criar ilusões, manipular, ler pensamentos…
Tenho visão telepática, e utilizo a arte psicomântica e o poder de cura, e de destruição para o meu benefício.

Como os outros vampiros, sou capaz de me transformar em qualquer espécie de animal: morcego, lobo, cão, pássaro… Bem como em criaturas estranhas e imaginárias.

Intimamente, sou o Leão que ruge, procurando a quem devorar. No entanto, prefiro me transformar num homem comum, ou no líder religioso, no político eloqüente, ou nas letras escritas por um ávido Escritor.

A cruz, A Bíblia e o alho não me afugentam. Pelo contrário, bebo água benta para aliviar minhas ressacas, e nas procissões eu sou o Luciferário.

Sou um manipulador da fé, pois dessa forma consigo atrair mais vítimas. Monto belíssimas igrejas e ofereço conforto espiritual e material em programas de televisão, tudo em nome de Deus.

Nenhuma Lei dita sagrada é verdadeira para mim; nenhum dogma consegue deter minha voz.

“Eu deixo para trás todas as normas que não levam ao meu sucesso e alegria terrenos. Eu me ergo impassível comandando a invasão da lei do mais forte!

Eu olho dentro dos olhos vítreos do seu terrível Deus e o agarro pelas barbas; eu ergo um machado e então racho seu crânio devorado por vermes!

Eu me liberto do sepulcro formado por conteúdos doentes de filosofias vãs e gargalho com um sarcasmo cheio de ira”.

Gosto de me aproximar, de abraçar, de apertar as mãos de minhas vítimas. Para inflar o meu peito em ardente escárnio.

Sejam eleitores imbecis ou fiéis idiotas, sempre os trato com o carinho de uma mãe para com o seu filho único, antes de devorá-los.

Proporciono à minha vítima escolhida, imagens de paz e amor, bondade, prazer e luxúria. De acordo com o temperamento, proporciono as imagens que ela sempre gostaria de ver, e faço-a sonhar. E abraço-a como um amante.

Então, começo a sugá-la, não sugo muito, pois a vítima pode ficar muito debilitada. Ou até morrer, o que não é o meu objetivo, pois preciso de escravos para o meu séquito.

Quando encontro alguém que me agrada, procuro olhar fixamente nos seus olhos. Penetro vorazmente no fundo de seu inconsciente.

Ao dormir, ela passa a ter sonhos gozosos, que permanecem por alguns dias, até que cedo ou tarde, ela me convida para a sua cama.

Então, ofereço-lhe alegrias inimagináveis, paz indescritível, êxtase… A cada gemido de prazer e dor, me sinto mais forte. Esta é a minha forma preferida de exaurir.

Sem energia, sem vontade, a vida torna-se um fardo. A depressão tornar-se constante companheira. E tudo parece dar errado, quando Eu não estou presente.

Os familiares e amigos são abandonados, largados ao mofo. Os pesadelos tornam-se freqüentes. Nada neste mundo parece real.

A percepção fica alterada, e seus valores invertidos.

“As poderosas vozes da minha vingança arruinarão a calmaria do ar e se manterão como monólitos de fúria mortal sobre um solo de serpentes retorcidas. Eu me torno uma monstruosa máquina de aniquilação para aqueles fragmentos ulcerosos do corpo daquele que tentou deter-me”.

Desejo apenas que se multiplique a dor causada pela minha crueldade.

E o sono, o sono…

O belo artifício da morte começa envolver como um cobertor numa noite fria.

Então, continuará pensando que sou coisa da imaginação humana.

E como se Eu me sentisse vivo novamente, Continuarei existindo.

Na busca do amor…

Que procuro, mas não tenho por quem chorar.

Nem com quem sorrir…

O beijo…

E o corpo que por alguns instantes me fez se sentir vivo…

Não mais…

E já que não posso amar…

Agradeço por ter me convidado a entrar em sua mente.

E ter aberto a sua alma para que Eu pudesse penetrá-la devagar.

Daqui por diante, você carregará também esta lúgubre maldição.

E “Viverá! Viverá doravante sobre esta estranha ponte, que começa onde acaba a vida e termina onde começa a morte”.

Pois mesmo quando Eu, quebrando a roda do Samsara, e definitivamente adentrar no fundo do abismo do espaço, sempre estarei em você, e naqueles que lerem ou ouvirem as minhas insalubres palavras.

 Autor desconhecido

2 comentários em “Monólogo de um Vampiro Psíquico

  1. Elvira SLNo Gravatar disse:

    Meio demoníaco O.o

  2. Elvira SLNo Gravatar disse:

    Imagem offline removida

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