Perguntas não vão lhe mostrar, Eu sou…

17 ago 2010 | By

Gita, uma das  composições de Raul Seixas, Roqueiro, Considerado Maluco com ideias avançadas, ele afirmava que nasceu de trás pra frente veio da sepultura, onde ficou longo tempo preso segundo ele mesmo. Um roqueiro genial, suas letras e composições com certeza incomodam ate o diabo.  Sucesso  hoje move um legião de fã e seguidores.  Covers, imitadores ate fanáticos que se dizem ser o próprio, Raul Seixas.

TRECHOS Fontes do livro: Um Roqueiro do Além

Na sepultura

A minha morte foi como um pesadelo; senti um profundo torpor e perdi os sentidos. Depois de algum tempo, recobrei a consciência; parecia estar bem, até que percebi que algumas pessoas estavam colocando-me dentro de um caixão. Tentei reagiram mas não consegui mexer-me; gritei dizendo estar vivo, mas ninguém me ouviu. Quando fecharam o caixão, dei murros na tampa tentando abri- la, mas meu esforço era em vão; perdi os sentidos.

Não sei quanto tempo fiquei desacordado; quando dei por mim novamente, senti que me colocaram em um veiculo e viajamos por algum tempo. Os solavancos do carro enjoaram-me; comecei a passar mal; não tinha espaço para vomitar e nem para me mexer; sentia-me sufocado. Quando o carro parou escutei gritarem o meu nome seguido de muito pranto. Pelo movimento, percebi que ali deveria ser o local do velório. Tiraram o caixão do carro e, quando menos eu esperava, abriram a tampa. Senti um grande alívio! Tente levantar-me , mas não consegui. Muita gente debruçou sobre mim para chorar.
O que eu poderia fazer ?

Já havia tentado de tudo para sair dali. A única explicação que eu encontrava para aquele fato , é que eu estava realmente morto e o meu espírito preso a meu corpo e já começava a cheirar mal. Diante da minha impotência, tive que aceitar aquela situação. Observei cada pessoa que passavam por mim. Olhavam-me piedosamente e lamentavam pela minha morte. Quase todos que passaram por aquele desfile de lágrimas e de hipocrisia diziam a mesma coisa:

– Que pena. Tão jovem!

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Fora da Sepultura

Não sabia se havia passado alguns dias, alguns meses ou alguns anos. Perdi completamente a noção do tempo, até que ouvi uma voz chamando-me:

-Olá, malandro! Foi bem de viagem ?

Sabia que era comigo que falavam, mas não respondi. A voz continuou chamando-me e rindo às gargalhadas. Lembrava-me a voz de alguém conhecido, mas a escuridão era tanta que eu não podia vê-lo.

-O que é malandro, vai ficar a vida toda dentro desse buraco? Seu corpo já apodreceu! Vai esperar apodrecer o seu espírito? Você está vivo, cara! A morte não existe! Olha para mim! Estou numa “boa.”. Aqui tem tudo o que a gente gosta. Vamos. Sai desse buraco.

Uma força estranha impeliu-me e eu sai dali. Demorou muito para que eu pudesse recobrar a visão.
Alguém me estendeu a mão e segurou-me pelo braço…
Era um homem cuja fisionomia chegava a assustar-me; tentei lembrar-me de onde eu o conhecia mas não consegui.
-Está assustado, “garotão”? Não tenha medo, eu domino esta região! Você é meu convidado especial. Eu sou seu fã!
-Quem é você ?

-Somos velhos amigos, não vai se lembrar, fazem apenas alguns séculos… Suas gargalhadas assustavam-me. ele continuou:

-Você deve Ter pensado que o inferno não existe, mas o inferno existe somente para os fracos; estamos no Paraíso. Eu governo esta parte da cidade. Você vai adorar ficar aqui comigo e com todos os que estão sob o meu comando. Venha! Vou ensinar a você como se vive fora do corpo.

Fontes do livro: Um Roqueiro do Alem

BIOGRAFIA

Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um cantor e compositor brasileiro, é considerado um dos pioneiros do rock no Brasil.

Filho do engenheiro Raul Varella Seixas e da dona de casa Maria Eugênia Santos Seixas, Raul nasceu e cresceu na cidade de Salvador. Uma cidade um tanto estagnada, alheia aos progressos de uma modernidade que passava ao largo da capital baiana. Tinha um irmão, quatro anos mais novo, Plínio Seixas.

Em casa obtém uma cultura impressionante que o faz adiantar-se àquilo que era ensinado nas escolas, mergulhando nos livros que tinha à disposição, na biblioteca do pai. Até o final de sua vida, sempre foi avançado para sua época, o que é comprovado pelas músicas por ele compostas e que até hoje são executadas.

Um comentário em “Perguntas não vão lhe mostrar, Eu sou…

  1. Elvira SLNo Gravatar disse:

    Ótima postagem!!

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