Torturas, instrumentos, morte na inquisição e o livro de Malleus Maleficarum

23 nov 2010 | By

Os torturadores da Idade Média usavam de tudo um pouco: de aparelhos que esticavam o corpo das vítimas até deslocar as juntas a objetos perfurantes dos mais variados tipos. Boa parte dos métodos de punição já existia desde a Antiguidade, mas os carrascos medievais também desenvolveram novas formas de tormento, incorporando os avanços tecnológicos da época, como os recém-surgidos dispositivos de relojoaria.

A prática da tortura era comum, pois a confissão era considerada a mais importante prova nos tribunais, assim ela precisava ser extraída a qualquer custo. Presos em sombrias masmorras, no subsolo de fortalezas, os suspeitos eram submetidos a suplícios durante semanas e o terror só acabava quando eles reconheciam a culpa, em geral relacionada a casos de roubo, traição política ou assassinato.

A princípio, a Igreja se manifestou contra a tortura para extrair confissões, mas, no final da Idade Média, já usava a prática sem cerimônias para punir hereges e suspeitos de bruxaria ou enquadrar pregadores que se afastassem de sua doutrina oficial. No ano 1252, o papa Inocêncio IV publicou uma bula (carta solene do pontífice) autorizando a tortura de suspeitos de heresia. Não era considerado pecado infligir castigos físicos aos acusados, a única recomendação era para que o serviço sujo não ficasse a cargo dos padres… O auge do uso da tortura em interrogatórios aconteceria já fora do período medieval.

A partir do século 15, a Inquisição – tribunais da Igreja Católica que puniam quem se desviasse de suas normas – tinha até manuais para orientar carrascos. Vale lembrar que, além do tormento físico, métodos psicológicos também eram utilizados, envolvendo drogas psicotrópicas, extraídas de plantas como mandrágora ou estramônio. Essas poções provocavam terríveis delírios, servindo para “confirmar” que o réu possuía laços com o demônio.

Essas torturas acabavam levando a vítima à morte.

As vítimas mulheres

As mulheres, que eram a maioria, comumente eram vítimas de estupro. Com exceção de Portugal e Espanha, onde os principais perseguidos eram cristãos novos e judeus, em quase toda a Europa a porcentagem de mulheres excedeu 75% dos casos.

Em algumas localidades, como o condado de Namur (atual Bélgica), elas responderam por 90% das acusações perante os tribunais da Inquisição.

Os padres ameaçavam suas penitentes no confessionário que, a menos que fizessem sexo com eles, seriam entregues ao Santo Ofício! Tão efetiva era essa ameaça que um sacerdote agonizante revelou em 1710 que “por essas persuasões diabólicas elas estavam ao nosso comando, sem medo de revelar o segredo.” (pg 36, Master-Key to Popery, Padre Givens).

Portanto, se um sacerdote ameaçasse uma mulher dizendo que ele iria mentir sobre ela aos oficiais da “santa” Inquisição, ela sabia o tipo de tortura e morte que a esperava. O sacerdote poderia provavelmente delatar a mulher aos inquisidores como bruxa.

Os inquisidores tratavam as mulheres acusadas de bruxaria com especial deleite, júbilo e atenção, deixando-as nuas, apalpando-as, a pretexto de procurarem a terceira mama, prova da ligação com o demônio e existem referências ao estupro, como início das demais torturas.

O Martelo das feiticeiras

O Malleus Maleficarum conheceu sucessivas edições nos séculos seguintes. E por uma boa razão: era um guia espiritual e processual detalhado dos “santos” inquisidores fornecendo explicações que iam desde a fundamentação teológica da inferioridade feminina até detalhes sobre como interrogar as bruxas para determinar a sua culpa.

O procedimento era simples:

Pergunta: És bruxa. Ação: mais duas voltas da polé. Resposta: Sim, sou!
Pergunta: É verdade que mantiveste relações com o demónio. Ação: mais um aperto na polé. Resposta: Sim!
Pergunta: O membro do demónio que te penetrou era frio? Ação: ainda duas voltas na polé. Resposta: A acusada, desfalecendo, respondia: Sim senhores, tudo o que quiserem!

A sexualidade feminina, a menstruação e a capacidade de procriar eram extremamente mal vistas pelo poder dos homens.

videos: Youtube

Material: marymad.awardspace.com

Edição pesquisa e reportagem: Rick Reymond

4 comentários em “Torturas, instrumentos, morte na inquisição e o livro de Malleus Maleficarum

  1. Nossa , fiquei impressionada com o que vi e o que li , porém como coversei com uma pessoa o BDSM , é uma forma de prazer, certo que perigosa rsrsrrss, mas é uma forma de prazer, mas esse tipo de tortura aqui , credooo tha loco …

  2. Elvira SLNo Gravatar disse:

    Máquinas mortais da inquisição em português do Brasil:


    Tem continuações…

    Mais alguns pra compartilhar, muito bons:



    Tem continuações…

  3. .Crow.No Gravatar disse:

    O link do livro tá quebrado, podem concertar? Obrigado.

  4. AntonellaNo Gravatar disse:

    infelizmente sem chances :( mas se aparecer novamente estaremos postando aqui só ficar de olho … Vlw o comentário e o aviso :cool: seja bem vindo …

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