Wikileaks revela segredos que o Pentágono quer esconder.

01 dez 2010 | By

Wikileaks: o que o Pentágono quer esconder?

Este conjunto devastador de revelações, que se tornou público , não é obra da investigação de um grande jornal. Foi possível graças a uma ferramenta participativa de comunicação nova e pouco conhecida no Brasil: o Wikileaks (“furos colaborativos”, em tradução livre). Criado em 2007, instalado em servidores na Suécia e dirigido por Julian Assange, um jornalista australiano, o Wikileaks (a exemplo da Wikipedia) permite a qualquer pessoa publicar informação que julgue relevante. Mas não se destina a difusão de conhecimento enciclopédico. Seu foco é expor o que os poderosos querem manter em sigilo — mas as sociedades têm o direito de saber.
Temendo divulgação de 15 mil novos documentos, governo dos EUA amplia pressão para silenciar site que vaza segredos do poder. Editor Julian Assange (na foto) diz que não se intimidará.


Uma batalha decisiva para o futuro da liberdade de expressão pode estar sendo travada neste instante. Seu desfecho vai se dar nas próximas semanas. Depois de ter publicado 76 mil relatos secretos sobre a guerra dos EUA contra o Afeganistão , o site global Wikileaks (“furos colaborativos”, em tradução livre) prepara-se para divulgar mais 15 mil. Aparentemente, o conteúdo do segundo lote é ainda mais devastador. Viriam à luz, especula-se, não apenas atrocidades cometidas por soldados no campo de batalha — mas relações diplomáticas perigosas que Washington manteve com governos aliados. Numa corrida contra o tempo para evitar o vazamento, o Pentágono – e, em especial, a direita norte-americana – têm recorrido a ameaças, mistificações e intimidação.
Na semana passada, o próprio secretário de Defesa, Robert Gates, lançou-se a elas. Numa atitude de enorme risco, ele admitiu implicitamente a autenticidade dos documentos que o Wikileaks tem em mãos. Afirmou que o material contém “enorme volume de informações sobre nossas táticas, técnicas e procedimentos”; que sua divulgação ameaça “os soldados norte-americanos e aliados” e terá “consequências potencialmente muito graves”; que será “de grande valia para o Teleban e a Al-Qaeda”. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, engrossou o coro em tom de guerra, afirmando que a publicação dos arquivos irá “ajudar o inimigo”. Ainda mais agressivo e ameaçador, o colunista neocon Marc Thiessen escreveu no Washington Post: “Os EUA têm capacidade cibernética para impedir que WikiLeaks divulgue o material. O presidente Obama ordenará que os militares usem a capacidade que têm? (…) Se [Julian] Assange, [o editor do Wikileaks] for deixado livre e os documentos em seu poder forem divulgados, Obama só poderá culpar a si mesmo.”

O esforço para impedir que as informações cheguem à opinião pública recebeu o apoio de uma ONG costumeiramente aliada a Washington: os Repórteres sem Fronteiras (RSF). Numa nota divulgada em 14/8, a entidade tenta mobilizar, contra o Wikileaks, o sentimento de defesa da vida. “Revelar a identidade de centenas de pessoas que colaboraram com a coalizão [liderada pelos EUA] no Afeganistão é altamente perigoso. Não seria difícil para o Taleban e outros grupos armados usar tais documentos para compor uma lista de alvos em ataques mortais”, diz o texto. Ele serviu para que parte da mídia apontasse o “isolamento crescente” do Wikileaks. Entre os que acompanham em mais detalhes a conjuntura internacional, porém, a postura era previsível.

Que pode haver de tão perturbador (para Washington) nos 15 mil documentos? Segundo o jornal britânico The Guardian, que teve acesso a parte do imenso material reunido pelo Wikileaks, pode tratar-se de “um arquivo de milhares de telegramas, enviados pelas embaixadas dos EUA em todo o mundo, nos quais se trata de comércio de armas, encontros secretos e opiniões não censuradas de outros governos”. Em outras palavras, revelações capazes de abalar governantes e políticos que se aliaram, em todo o mundo, às principais iniciativas geopolíticas e militares de Washington, nos últimos anos — em especial no período Bush.

No fim-de-semana, o australiano Julian Assange, editor do Wikileaks, afirmou em entrevistas em Londres e Estocolmo que  o conteúdo deverá ser publicado num período de “duas semanas a um mês”. Segundo ele, a equipe de voluntários do site está revisando “linha por linha” os arquivos vazados. A triagem visaria, em especial, remover informações que possam ameaçar a segurança pessoal de personagens citadas. Também haveria meios de imprensa ajudando a interpretar e resenhar o material, embora Assange tenha preferido não nomeá-los.

Para driblar uma eventual tentativa do Pentágono de destruir os documentos, ou colocar o site fora do ar (e talvez para proteger a si mesmos), os responsáveis pelo Wikileaks adotaram um procedimento sofisticado. Há cerca de duas semanas, disponibilizaram um imenso arquivo (o “insurance.aes256″, de 1,4Gb), que supostamente contém toda a base de dados relativa aos vazamentos passados e futuros que perturbam o Pentágono. O material está blindado por criptografia, mas os apoiadores do site foram estimulados a baixá-lo. A esperança é que, difundido dessa forma, torne-se indestrutível. Para que seja aberto, por qualquer um de seus possuidores, basta que o pessoal do Wikileaks, sentindo-se ameaçado, divulgue a senha de desencriptação.

Embora a história assemelhe-se, em alguns de seus aspectos, ao enredo de um filme sofisticado de espionagem, ela envolve uma batalha política de enorme importância. O empenho do governo Obama em tentar impedir a divulgação dos documentos sugere que estão em jogo informações muito delicadas não apenas para seu antecessor, mas para as políticas dos Estados Unidos, de forma geral. Felizmente, o Wikileaks parece não se intimdar. No fim-de-semana, ao responder às críticas dos conservadores e do RSF, Julian Assange afirmou: “Temos um dever em relação aos mais diretamente afetados pelo material: o povo do Afeganistão e os rumos desta guerra, que está matando centenas de pessoas a cada semana. Temos um dever em relação ao registro da Hisória, sua precisão e integridade”. E foi adiante: “se os responsáveis pela defesa dos Estados Unidos querem ser vistos como promotores da democracia, eles devem proteger o que os fundadores de sua nação consideravam o valor central: a liberdade de expressão”.

Em outro telegrama, Sobel avalia que o novo plano pode ser uma boa oportunidade para os EUA. “Depois de mais de vinte anos fora do espectro político e vinte anos com poucos recursos, os militares brasileiros estão agora pressionando pela sua modernização. À medida que fazem isso, oportunidades vão surgir para melhorar a nossa parceria em segurança. Uma força militar mais capaz e com maior empregabilidade pode apoiar os interesses dos EUA ao exportar estabilidade à América Latina e estar disponível para operações de manutenção de paz em outros lugares.”

Pentágono procura responsável por vazar documentos

Procurador-geral diz que investigação vai determinar se processo judicial será aberto

O procurador-geral do Pentágono, Eric Holder, informou nesta quarta-feira que o Departamento de Justiça está trabalhando com o Departamento de Defesa para descobrir quem foi o responsável pelo vazamento dos 92.000 documentos militares secretos sobre a guerra no Afeganistão. Segundo Holder, uma investigação vai determinar se um processo judicial será aberto.

Militares americanos estão preocupados com o impacto que o vazamento de informações terá sobre a rede de inteligência construída ao longo dos últimos oito anos no Afeganistão e no Paquistão. “Realmente, não é do interesse nacional dos Estados Unidos que esse tipo de material vaze”, enfatizou.

O porta-voz do Pentágono, coronel Dave Lapan, informou na última segunda-feira que um dos suspeitos é o analista de inteligência Bradely Manning. Ele foi detido em maio, após um hacker acusá-lo de ter feito downloads de 260.000 documentos e os enviado ao site de denúncias Wikileaks. Em declarações à imprensa, Lapan disse que ele não é o único investigado, mas sim “alguém a quem estamos analisando de perto.”

Obama – Na terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, tentou atenuar a importância dos dados contidos no material. Ele afirmou que as informações que vieram a público justificaram sua decisão de rever a estratégia americana no Afeganistão, em dezembro passado. “O material não revelou nada que não tenha sido antes informado ou publicamente debatido”, explicou.

O presidente afirmou que embora se preocupe com a revelação “de informação sensível do terreno de batalha que poderia potencialmente pôr em risco indivíduos e operações, o fato é que esses documentos nada revelam de novo.” Obama ainda pressionou os líderes do Congresso a aprovarem a suplementação de verba de 37 bilhões de dólares para as tropas americanas no Afeganistão e no Iraque.

Documentos – Um arquivo de seis anos de documentos militares reservados veio a público no domingo, oferecendo uma imagem sem adornos da guerra do Afeganistão que em muitos aspectos é mais sombrio que o retrato oficial. A Wikileaks, uma organização que se dedica a denunciar más práticas na internet, publicou em seu site a maior parte dos arquivos secretos, sob o título “Diário da Guerra Afegã”.

Os relatórios abrangem o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2009 e mostram em detalhes por que, depois de os Estados Unidos terem gasto quase 300 bilhões de dólares na guerra no Afeganistão, o talibã está mais forte do que em qualquer momento desde 2001.

Pentágono acusa WikiLeaks de ser «perigoso»

As atitudes do site WikiLeaks, que prometeu publicar documentos diplomáticos norte-americanos, são «extremamente perigosas», considerou o chefe de Estado-maior das Forças Armadas norte-americano, o almirante Michael Mullen, escreve a Lusa.

Este site «continua ser extremamente perigoso», nomeadamente para a segurança dos soldados norte-americanos, afirmou o almirante Mullen numa entrevista à «CNN».

O site especializado na divulgação de documentos confidenciais prometeu publicar, dentro em breve, sete vezes mais documentos confidenciais do que os 400.000 recentemente publicados sobre a guerra no Iraque.

Edição: Rick Reymond

Um comentário em “Wikileaks revela segredos que o Pentágono quer esconder.

  1. Gente o caso é serio , isso pode dar em guerraaaaaaaaa affsssssss………..

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