A rotina de uma gueixa

31 ago 2011 | By

Para conhecer um pouco mais da cultura japonesa, o documentário abaixo vale ser visto. Dirigido por Glen Milner, Miehina, the Kyoto Geisha, mostra como é a rotina de uma gueixa hoje em dia no Japão. A profissão das mulheres que devem entreter os convidados com danças, jogos e música continua sendo levada com a mesma seriedade e tradição pro suas praticantes.

Atualização: Ao contrário do que muitos pensam, a gueixa não é uma prostituta. Ela pode manter relações sexuais com o cliente, mas esse não é seu objetivo final, que é entretê-los por meio da arte. No Japão, diferentemente daqui, a pessoa só é considerada prostituta se sua principal fonte de renda for a venda do sexo. As gueixas podem se recusar a transar com clientes – diferente das prostitutas. Recomendamos fortemente aos que estiverem interessados no tema, que leiam o artigo de Cristiane A. Sato, publicado no site Cultura Japonesa. Ela retoma diversos fatos históricos para contar a origem das gueixas e a origem da prostituição como profissão legal no Japão e como as duas atividades foram se auto-afirmando para se diferenciarem ao longo do tempo. E também relata o dia que viu uma apresentação de uma gueixa.

Aqui, reproduzimos um trecho:

“As restrições do kenban moldaram não só a aparência, mas o que efetivamente a gueixa se tornou e é atualmente. Para ter condição de artista, as gueixas passaram a dedicar enorme tempo ao estudo e treinamento em artes, e passaram a ser valorizadas e remuneradas como entertainers. Proibidas de ter a aparência rica mas aperuada das prostitutas, as gueixas tornaram-se mestras da elegância, da beleza discreta e da sensualidade insinuada. Atrair os homens era, como ainda é, básico para elas formarem uma clientela, mas sexo não era, como ainda não é, a finalidade pela qual os japoneses contratavam uma gueixa – para isso existem as prostitutas. Diferentemente das prostitutas, gueixas podiam se recusar a ter sexo com um cliente, mas não se podia evitar que gueixas tivessem relacionamentos sexuais com seus próprios clientes”.

“Em Kyoto, não se pode ser Gueixa apenas uma parte do seu tempo. Nós vemos isso como uma profissão. Nós passamos o dia todo treinando as artes do entretenimento para depois nos apresentarmos aos convidados. Nós sempre estamos tendo novas lições, pois vemos a profissão da Gueixa como um processo contínuo de aprendizado. Quando você é promovida, isso significa mais coisas para aprender e dominar. Não há como medir a performance, por isso nós trabalhamos duro na prática. A parte difícil desse trabalho é a dedicação necessária. Muitas vezes temos que passar da manhã ao final da tarde treinando, depois vamos para casa, nos vestimos rapidamente e já temos que ir trabalhar. É muito estressante física e mentalmente, mas não nos é permitido mostrar o quão cansada estamos na frente dos convidados. Não podemos relaxar, até chegar em casa após as performances. Meu trabalho é prover um momento de prazer para os convidados. Eu pratico formas tradicionais de entretenimento japonês, como dança, alguns jogos e canto. O que é difícil na dança é que temos que captar as letras da música e compreender o significado dessa letra. A coreografia está ligada à letra. Nos expressar por uma dança que se combine com a letra é muito importante e muito difícil para nós. Sou de uma família de Gueixas e estou nisso minha vida toda. Não sei quando vou me aposentar. Pelo menos por enquanto eu gosto de ter lições e fazer performances. É o que eu quero fazer e não vou largar esse trabalho tão em breve”

Fonte Revista Galileu

Mistério A+

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