Computador com esquizofrenia

09 set 2011 | By

Uma máquina mistura informações reais e ficcionais e assume a autoria de um ataque terrorista. Poderia ser um enrredo de filme de ação, mas foi o que aconteceu durante uma pesquisa nos Estados Unidos que pode levar a novas drogas contra a esquizofrenia. Cientistas da Universidade do Texas e de Yale usaram um computador que simula uma rede neural para testar as causas da doença. Concluíram que ela pode ser provocada por uma espécie de anarquia no armazenamento de nossa memória.

O cérebro considerado normal guarda informações de forma hierárquica. Fatos importantes, como o primeiro beijo, são mais lembrados do que o prato do almoço do dia anterior. Isso porque situações marcantes são sinalizadas pela dopamina, substância química liberada pelo cérebro. Porém, uma das características da esquizofrenia é o excesso de dopamina. O que leva o portador do distúrbio a armazenar memórias de forma embaralhada, já que tem dificuldade em categorizá-las por importância.

Para simular a doença, os cientistas inseriram no computador, chamado Discern, histórias simples. Depois, passaram a incluir detalhes para que a máquina aumentasse a quantidade de informações guardadas. Em paralelo, trabalharam com um grupo de pacientes esquizofrênicos para comparar os resultados. Perceberam que ambos, computador e pessoas, misturavam fatos de histórias diferentes. A ponto de a máquina assumir a autoria de um atentado a bomba. “Se o processo de aprendizagem é acelerado de forma errônea, a memória fica corrompida, como se fosse um problema no HD”, afirma o psiquiatra Ralph Hoffman, da Universidade de Yale. O próximo passo é simular o efeito de remédios no computador. Os humanos aguardam ansiosamente pelos resultados.

Revista Galileu

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