Morfina – Efeitos e Consequências no organismo

25 set 2011 | By

morfina é um medicamento do grupo dos opióides, que é usado no tratamento da dor.

A morfina é o primeiro ópio produzido em laboratório. Apesar de ser usada no tratamento da dor a droga é perigosa, pois ela causa euforia, bem estar e dependência química rápida. A dependência da morfina pode ser tanto física quanto psicológica, causando no usuário a necessidade de doses cada vez maiores. A dependência pode ser diagnosticada porque o paciente apresenta tremores, ereção dos pêlos, suores, lacrimejamento, rinorreia, respiração rápida, temperatura elevada, ansiedade, anorexia, dores musculares, hostilidade, vômitos e diarreia.

As consequências deixadas pela droga são varias: deprimem as regiões do cérebro que controlam a respiração, os batimentos cardíacos e a pressão arterial do sangue. As pupilas ficam contraídas, o estomago e o intestino paralisam e apresentam fortes prisão de ventre. A droga também pode levar o usuário ao coma apresentado por perda de consciência, perda de oxigenação no sangue e a queda da pressão arterial, que se não for socorrido a tempo pode até causar a morte.
Por isso esse medicamento só pode ser usado ou receitado por uma médico.

Usos clínicos

Dor crônica: é a primeira escolha no tratamento da dor crónica pós-operativa, nocancro e outras situações. Tem vindo a ser substituída como primeira escolha pelofentanil.

Dor aguda forte: em trauma, dor de cabeça (cefaleia), ou no parto. Não se devem usar nas cólicas biliares (lítiase biliar ou pedra na vesícula) porque provocam espasmos que podem aumentar ainda mais a dor. Não é primeira escolha na dor inflamatória (são usados AINEs).

Na anestesia geral como adjuvante a gás anestésico principal.

Mecanismo de ação

Os opióides são agonistas dos receptores opióides. Estes existem em neurónios de algumas zonas do cérebro, medula espinal e nos sistemas neuronais do intestino.

Os receptores opióides são importantes na regulação normal da sensação da dor. A sua modulação é feita pelos opióides endogenos (fisiológicos), como as endorfinas e asencefalinas, que são neurotransmissores.

Existem quatro tipos de receptores opióides: mu, delta, sigma e kappa. Os receptores mu são os mais significativos na acção analgésica, mas os delta e kappa partilham de algumas funções. Cada tipo de receptores é ligeiramente diferente do outro, e apesar de alguns opióides activarem todos de forma indiscriminada, alguns já foram desenvolvidos que activam apenas um subtipo.

Bulbo da papoila do ópio

Os opióides endógenos são péptidos (pequenas proteínas). Os fármacos opióides usados em terapia apesar de não serem proteínas têm conformações semelhantes em solução às dos opióides endógenos, activando os receptores em substituição destes.

Administração

Via oral, subcutânea, intramuscular ou intravenosa. Epidural, transdérmica, intranasal são menos usadas. É frequente ser dado ao paciente o controlo de uma bomba, activada por um botão, que injecta opióide de acordo com o seu desejo. Existe geralmente um mecanismo que previne a injecção de doses elevadas (que podem provocar danos graves), mas na grande maioria dos casos o controle pelo doente reduz a ansiedade e as doses acabam até por ser mais baixas. Nos doentes com dores não existe efeito eufórico, mas há efeito sedativo, portanto o paciente limita-se a carregar no botão quando sente dores, mas de forma a evitar o efeito de sonolência.

Metabolizada no figado. Efeito de 4 a 6 horas após administração. Ultrapassa a barreira hemato-encefálica e a placenta. Não deve ser usada na gravidez.

Efeitos clinicamente úteis

Analgesia central com supressão de ambas dor física e emocional.

Sedação na anestesia.

Efeitos adversos

Comuns:

Euforia pode conduzir à dependência.

Sedação

Miose: constrição da pupila do olho

Depressão respiratória: em overdose constitui a principal causa de morte. Há alguma diminuição da respiração mesmo em doses terapêuticas.

Supressão da tosse: pode ser perigosa se houver infecções pulmonares.

Rigidez muscular.

Vasodilatação com calores na pele.

Prurido cutâneo.

Ansiedade, alucinações, pesadelos.

Vómitos por activação da zona postrema medular centro emético neuronal.

-Incomuns:

Libertação de hormona prolactina com possível ginecomastia (crescimento das mamas) nos homens e galactorreia (secreção de leite) nas mulheres.

Prolongamento do parto.

Redução da função renal.

Efeitos tóxicos

Os narcóticos sendo usados através de injeções dentro das veias, ou em doses maiores por via oral, podem causar grande depressão respiratória e cardíaca. A pessoa perde a consciência, fica de cor meio azulada porque a respiração muito fraca quase não mais oxigena o sangue e a pressão arterial cai a ponto de o sangue não mais circular direito: é o estado de coma que se não for atendido pode levar à morte. Literalmente centenas ou mesmo milhares de pessoas morrem todo ano na Europa e Estados Unidos intoxicadas por heroína ou morfina. Além disso, como muitas vezes este uso é feito por injeção, com freqüência os dependentes acabam também por pegar infecções como hepatite e mesmo AIDS. Aqui no Brasil, uma destas drogas tem sido utilizada com alguma freqüência por injeção venosa: é propoxifeno (principalmente o Algafan®). Acontece que esta substância é muito irritante para as veias, que se inflamam e chegam a ficar obstruídas. Existem vários casos de pessoas com sérios problemas de circulação nos braços por causa disto. Há mesmo descrição deamputação deste membro devido ao uso crônico de Algafan® .

Outro problema com estas drogas é a facilidade com que elas levam à dependência, ficando as mesmas como o centro da vida das vítimas. E quando estes dependentes, por qualquer motivo, param de tomar a droga, ocorre um violento e doloroso processo de abstinência, com náuseas e vômitos, diarréia, câimbras musculares, cólicas intestinais, lacrimejamento, corrimento nasal, etc, que pode durar até 8-12 dias.

Além do mais o organismo humano se torna tolerante a todas estas drogas narcóticas. Ou seja, como o dependente destas não mais consegue se equilibrar sem sentir os seus efeitos ele precisa tomar cada vez doses maiores, se enredando cada vez mais em dificuldades, pois para adquiri-las é preciso cada vez mais dinheiro.

Contraindicações

Hipertensão craniana como na meningite.

Gravidez

Insuficiência renal.

Insuficiência hepática

Juntamente com outros depressores do SNC, como álcool, benzodiazepinas e barbitúricos. Nem com antipsicóticos ou antidepressivos.

Enquanto droga de abuso

É mais frequente ser utilizada o seu derivado, a heroína. Apresenta duas características que a torna droga de abuso particularmente perigosa: produz euforia e bem estar, mas a sua ação necessita de doses cada vez maiores para se mantêr ao mesmo nível – fenômeno detolerância medicamentosa.

Produz dependência física (universal) e psicológica (subjectiva). A dependência física surge 6-10 horas depois da última dose e caracteriza-se por síndrome do “peru molhado”, definido por tremores, erecção dos pêlos (“pele de galinha”), suores abundantes, lacrimejamento, rinorreia, respiração rápida, temperatura elevada, ansiedade, anorexia, dores musculares, hostilidade, vómitos e diarreia. Um sinal importante é a miose (constrição da pupila do olho). Estes sinais só desaparecem com a administração de um opióide, geralmente de forma instantânea, e são máximos após 2-3 dias, depois do qual desaparecem gradualmente até ao 5º dia. O sofrimento do toxicodependente é considerável.

História

Foi isolada pela primeira vez em 1804 pelo farmacêutico alemão Friedrich Wilhelm Adam Serturner, que lhe deu o nome em honra do deus grego dos sonhos, Morfeu.

A partir da 1852 com a invenção da agulha hipodermica, generalizou-se o seu uso. Era usada no tratamento da dor, e do alcoolismo e consumo de ópio (as últimas duas utilizações sem benefício e altamente perigosas como se sabe hoje). Foi utilizada na guerra civil americana, resultando em 400.000 soldados com síndrome de dependência devido ao seu uso impróprio.

A Heroína (diacetilmorfina) foi derivada da morfina em 1874.

Fonte: Morfina 

Fonte: Wikpédia 

Antonella Barcelos

Um comentário em “Morfina – Efeitos e Consequências no organismo

  1. RickReymondNo Gravatar disse:

    Muito bom abordar este assunto!
    Esta droga esta associada a certos calmantes para dor que em uso frequente alem de causar dependencia quimica e fisica, causa com o passar do tempo perda de memoria ( Cientistas estudam a possibilidade do aumento do Mal de Alzheimer ao decorrer dos anos em pacientes que foram tratados com este tipo de droga) :pouty:

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