Italiano capta sons da natureza para criar músicas originais

08 jun 2012 | By

Até estetoscópio já foi utilizado para gravar os barulhos de dentro de uma árvore . Até estetoscópio já foi utilizado para gravar os barulhosAté estetoscópio já foi utilizado para gravar os barulhos de dentro de uma árvore de dentro de uma árvore

Se a quantidade de instrumentos musicais tocados por Diego Stocco não é infinita, com certeza é incontável. Para ele fazer música com uma coisa, basta que ela exista. Galhos, folhas, frutas, areia, casca de tronco de árvore, sementes, até uma abelha que passeava entre as flores participam da gravação do músico. Nas mãos do italiano, qualquer jardim vira uma orquestra. Para fazer suas composições em parceria com a natureza, vários métodos de captação são utilizados. Quase sempre, os objetos acabam se transformando em elementos de percussão.

Ele posiciona microfones perto de uma árvore, por exemplo, e, após um breve teste para descobrir qual o som provocado pelos movimentos, começa a chacoalhar os galhos e batucar no tronco, como se fosse um bongô. Às vezes, pequenos microfones são acoplados ao seus dedos, fazendo com que qualquer impacto seja ampliado na hora. Mas o método mais curioso, com certeza, é o estetoscópio. Diego pluga o aparelho em um microfone e o encosta na casca da árvore. Assim que ele bate no tronco, o que se ouve é um som grave, saído diretamente das entranhas daquela planta.

Quando ele termina de experimentar as sonoridades do jardim, é tudo uma questão de edição.
Confira no vídeo abaixo como esse processo todo funciona na prática:

Nesse outro vídeo, Diego faz uma música utilizando nada além de um sintetizador e um punhado de areia:

Apesar de ter virado notícia, a ideia de utilizar elementos naturais para criar uma canção não é exatamente nova. Desde os tempos em que o homem morava em cavernas, ele já fazia músicas com os elementos ao seu redor. O diferencial de Diego reside em aplicar técnicas altamente tecnológicas em métodos tão rudimentares como sacudir galhos e bater a mão na terra.

Hermeto Pascoal, um dos músicos mais inventivos que o Brasil já viu, fazia coisa parecida desde os tempos de criança, em 1940. Ele transformava cano de mamona de jerimum em pífano (tipo de flauta) e adorava fazer música com os barulhos da lagoa perto de sua casa. No vídeo abaixo, podemos ter uma noção do poder de improviso dele, que mescla sons da natureza com outros tirados de objetos mais mundanos, como garrafas de vidro.

Revista Galileu

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