Os casais e a Rotina – O que fazer?

26 fev 2012 | By

E AGORA?

A rotina é uma conseqüência de relacionamentos que se estabelecem e caminham ao longo do tempo. Algumas pessoas mais do que outras tem enorme dificuldade em lidar com a rotina e talvez seja um dos motivos que as levam a evitar os relacionamentos estáveis. No universo dos casais, tanto quanto em outros tipos de experiência é perfeitamente possível quebrar a rotina de maneira criativa, surpreendendo o parceiro
e promovendo novas experiências para  ambos.  Essa quebra pode ser através do café da manhã preparado especialmente para o outro, de noites fora do ambiente doméstico, de assistir a shows, de freqüentar cinemas, de buscar a companhia de outros casais para sair, etc. Porém pode-se ir para além de tudo isso.  A medida é a criatividade e o quanto se aplica aquilo que se conhece do outro.  Receber algo que não se tinha imaginado e foi planejado pelo companheiro, além de surpreender, propicia conhecer algo a mais sobre si mesmo, descobrir um novo prazer. Quem propiciou a surpresa e ofereceu o prazer inesperado ao parceiro vai sentir tanto prazer quanto ele. Fazer alguém feliz sempre acrescenta felicidade.

Em geral, falar em rotina remete os ouvintes a um sentimento pesado e negativo. Podemos tentar desmistificar isso.  A rotina tem o importante papel de fazer os casais sentirem-se abrigados, confortáveis, seguros. Estes são sentimentos relevantes, com um valioso papel emocional, muito significativo e estruturante para a relação a dois. A rotina informa que foi estabelecida uma dinâmica conjugal e/ou familiar. O que significa que se sabe onde se está e porque – por isso se permanece.  Ela funciona muito bem enquanto as pessoas se sentem supridas em suas necessidades e sentem que o outro sente-se de igual forma. Do ponto de vista familiar o estabelecimento de uma rotina é muito importante para os filhos, sobretudo, em fase de formação. Ela indica para crianças e adolescentes segurança.
Com alguma freqüência ouço a pergunta “A rotina acaba com um relacionamento?”. Outras vezes, a frase já chega como uma afirmação. Bem, cabe uma distinção: morar junto é diferente de ter um relacionamento. Para quem mora junto, mas continua priorizando sua individualidade, ela pode ser fatal. O motivo é justamente porque o casal não se vinculou de fato e a relação fica muito vulnerável. Dentro de um relacionamento que se estabelece por um ato de vontade de compartilhar, de fazer parte um da vida um do outro, ela pode até vir a ser um fator de peso, não necessariamente o elemento principal do fim. A rotina sempre pode ser quebrada, quando se deseja. Os aspectos negativos mais reconhecidos dela são: o tédio pela repetição automática de atitudes; comportamentos desprovidos de emoção; falta de reconhecer valor naquilo que se é feito no cotidiano em beneficio da família, do parceiro e dos filhos; sexo apenas sob o enfoque fisiológico; sexo por obrigação; reclamações sistemáticas; e, agressões que começam a fazer parte da vida do casal ou da família. Incluir coisas negativas na rotina ou tornar-se indiferente a maneira com que está se vivendo são elementos de risco para manutenção de um relacionamento.
Em algum momento de um relacionamento longo a rotina é percebida como um fator negativo. As mulheres naturalmente tem mais intimidade com o cuidado, então, elas se preocupam com a manutenção do relacionamento de maneira mais consciente e procuram estar atentas aos desgastes da relação. Por outro lado, elas têm uma jornada diária mais exigente (dupla ou tripla) o que, às vezes, não as deixa com tempo para refletir sobre o impacto da rotina em si e no parceiro, quando vêem a manifestação dos sinais citados, não os relacionam diretamente com o peso da rotina. Os homens, por muito tempo, se incomodaram mais com a rotina. Entretanto, a prática de consultório, tem apontado que a questão está mais nivelada, os dois se incomodam com a rotina, até porque a mulher passou a ocupar-se também do cuidado de si e não apenas com o daqueles a quem ama ou que precisam dela. Do ponto de vista masculino, está se desenhando sutilmente uma mudança. Os homens buscavam sair da rotina através de opções, na maioria das vezes, fora de casa. Eles buscavam atividades gratificantes para si excluindo a parceira, hoje, não é incomum que eles se importem em melhorar sua relação conjugal, que incentivem e promovam surpresas, observem mais o que agrada sua companheira e invistam em proporcionar bons e diferentes momentos para ambos, juntos. Penso que isso tem nivelado a questão.
O casal pode amenizar os efeitos da rotina no relacionamento. A primeira opção é fazer amizade com a rotina. Ninguém que pretende viver junto muito tempo deve fugir ou evitar a rotina. Ela é a verdadeira parceira. O que é aventura, aquilo que surpreende é efêmero e deixa as pessoas na mão no momento seguinte. Acordar junto todos os dias, receber um beijo ao acordar, o sexo matinal, ver o parceiro tomar banho ou vestir-se para o trabalho, jantar acompanhado, etc., são benefícios da rotina. Focando na saída da rotina (como concessões de exceção), posso citar algumas coisas, diferentes das mais óbvias que mencionei no início:
§         Celebrem todas as boas notícias e novidades, promoção no emprego, compra do carro novo, compra do mais novo “brinquedinho” eletrônico, mudança da decoração. Celebrem! (quem celebra o que a vida traz de bom, vai continuar tendo motivos para celebração);
§         Registrem seus bons momentos abraçados, se beijando, os passeios que fazem juntos, as viagens, as reuniões de família. Registrem momentos como os de preguiça em casa, de pijamas, com sono, desalinhados, brincando, saindo para o trabalho ou chegando, etc. Todos os momentos refletem vocês, os “vários” de vocês. Anotem a data dos registros eles serão sua história material e a história fortalece vínculos;
§         Não deixem, mesmo que tenham filhos e responsabilidades inerentes a serem pais, de ser um casal. Se pretendem viver juntos por muito tempo, um dia voltarão a ser só o casal, portanto insiram na sua rotina noites só para os dois, viajem curtas só para vocês (planejem-as juntos ou ofereça ao outro aquela fugidinha surpresa para descanso), façam sexo sem pressa e sem inibições, cada vez mais qualitativo (consciente do prazer que se dá e se recebe);
§         Se tiverem interesse em gastronomia e vinhos, por exemplo, façam um curso juntos. Aprender juntos ajuda a construir um mundo compartilhado;
§         Apreciem-se e elogiem-se. Com o tempo, tende-se a começar a subentender que o outro já sabe de tudo que a gente gosta nele, isso é um engano. As pessoas precisam de palavras afirmativas positivas. Com o tempo até a gente esquece o que admirava no outro no início, além do que, o normal é que as pessoas mudem. O mundo muda. Admirar implica em surpresa e encanto ao mirar. Olhe de verdade para seu parceiro e verá que vai encontrar o que elogiar. As mulheres se sentem mais bonitas quando são elogiadas e os homens mais seguros.
Surpreender o parceiro positivamente, claro, é uma maneira de demonstrar a ele a importância que ele tem. Vai fazê-lo saber que você esteve pensando nele com carinho, que se ocupou em descobrir o que o surpreenderia. Vai fazê-lo saber que você está satisfeito ao seu lado. Surpreender o parceiro é dizer com atitudes que está grato por ele existir e fazer parte da sua vida. Surpreender o parceiro diz que você está interessado na permanência do relacionamento. Boa sorte!
Fonte: Rotina  

Antonella Barcelos

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