Fazendo a sua própria transmissão ao vivo de protestos

28 jul 2013 | By

Manifestante durante o Quarto Protesto Contra o Aumento da Tarifa de Ônibus em São Paulo

Manifestante durante o Quarto Protesto Contra o Aumento da Tarifa de Ônibus em São Paulo

Na cobertura das recentes manifestações em São Paulo e no Rio de Janeiro uma chamou  a atenção pela ousadia. A  Mídia Ninja cobriu os protestos da perspectiva dos manifestantes e mostrou às pessoas que ficaram em casa o que estava acontecendo em tempo real – e, para isso, usou uma estrutura simples. O modelo ganhou adeptos: surgiram ideias como o Tomada.tv (site que reúne vídeos editados dos registros feitos pelas pessoas presentes nas manifestações), o coletivo Linha de Frente Audiovisual e o Rio na Rua.

A partir da atuação, organização e orientação desses coletivos, preparamos um guia com dez passos para quem gostaria de fazer transmissões ao vivo fazendo uso de um equipamento mínimo e praticamente universal nos dias de hoje: o celular.

1. Equipamento

Tenha em mãos um celular como boa capacidade de processamento e boa resolução de câmera (se possível, no mínimo 5 megapixels). Bons modelos que atendam esses critérios não custam muito mais caro hoje em dia. Mais importante que isso é o serviço de dados contratado. Celulares G conseguem cumprir o objetivo, mas o ideal é o 4G, disponível no mercado. A própria Mídia Ninja fazia uso de equipamentos 3G até o início de julho, quando passou a usar 4G em alguns casos. Em aglomerações, é possível que o sinal enfrente problemas e, nesses casos, não há muito o que fazer. Caso o celular não tenha 3G, uma opção é usar um modem móvel ligado a um PC e configurá-lo para funcionar como um roteador.

2. Aplicativos

Há boas opções para celulares Android e iPhone. O TwitCasting é bastante popular por ser também o utilizado pela Mídia Ninja. O app cumpre sua função, realiza as transmissões com facilidade, permite a interação com as redes sociais e armazena os registros (gratuito para iOS e Android). Alternativas são o Ustream (iOS e Android), o Livestream (iOS e Android), o Bambuser (iOS e Android) e o Qik (iOS e Android), comprado pelo Skype.

3. Onde ficar

Se a finalidade é mostrar o que está acontecendo a partir de um ponto que a maioria das pessoas não consegue (ou não tem coragem de) estar, o seu lugar é na linha de frente (é dessa condição que nasceu o nome do coletivo carioca). Mas há maneiras mais prudentes de estar lá. Procure ficar próximo a outros câmeras e fotógrafos. Nunca fique entre a polícia e os manifestações. Fuja do meio, preferindo sempre fazer uso das laterais das vias e, se possível, perto de qualquer coisa que possa ser usada como proteção, como árvores, postes, caçambas etc.

4. Como filmar

Evite balançar muito a câmera. Se a internet apresentar algum atraso, o ato de balançar a câmera resulta, para quem está assistindo, em um grande borrão. Como nem sempre é possível estar com a imagem estável, fale sempre o que está acontecendo. Esse procedimento é importante inclusive porque o vídeo não consegue captar o cenário da maneira como você o está vendo, nem com a mesma nitidez. A narração é importante para que o público possa continuar fazendo outras atividades enquanto acompanham a transmissão.

5. Como se manter seguro

Em caso de tumulto ou confronto, siga o passo 3 e fale para quem quiser ouvir que você está apenas cobrindo a manifestação e não necessariamente participando dela. Saiba sempre onde você está, nome da rua, tenha em mente quais são as ruas próximas e tente saber com antecedência onde se localizam casas, shoppings, lojas ou postos que possam servir como “QGs”. Importante também saber qual o Departamento de Polícia mais próximo e quais são os hospitais da região.

6. Como andar

Ande sempre em grupo. Se possível, vá para a rua com algum colega que esteja munido de uma câmera e que possa filmar não só o que está acontecendo na manifestação, mas para filmar você, caso necessário. Importante estar com roupas adequadas para correr, panos e vinagre. Apesar de ser recomendável o uso de máscaras, para evitar respirar gás lacrimogênio, no caso de transmissões ao vivo que o narrador tenha que fazer relatos do que está acontecendo, a máscara pode atrapalhar. Um procedimento importante é se filmar, mostrar o que há na mochila antes e, se possível, em algum momento durante a filmagem para evitar possíveis acusações de porte de material usado no conflito, como bombas.

7. Não pare a transmissão

Evite parar a transmissão por qualquer motivo. É importante, se o objetivo é manter uma audiência, que a transmissão seja contínua. Para isso, leve carregador e baterias extras. Em caso de conflito, filme o quanto puder, mas se a coisa ficar muito feia, não banque o valentão e corra para algum lugar seguro e proteja-se.

8. Mantenha-se informado

O ideal é ter algum amigo assistindo tudo o que está acontecendo de casa, pela televisão e pela internet. Ele, mais o amigo presente na manifestação e você, devem ter a possibilidade de se falar a qualquer momento. Por isso é indicado levar um segundo celular, somente para este fim. É importante estar a par do que está acontecendo na manifestação em outras localidades.

9. Avise as redes

Use esse amigo de casa como base para ajudá-lo na divulgação e moderação da transmissão. É importante distribuir o link pelas redes sociais a fim de atingir a maior quantidade de pessoas possível e ainda é importante ouvir o que as pessoas que estão assistindo falam sobre a transmissão e que informações adicionais elas estão passando.

10. Na hora evite tomar partido

É importante não fazer xingamentos ou fazer qualquer tipo de incitação à violência – isso pode ser considerado crime.

Revista Galileu

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