Conseguimos ficar longe da internet?

06 maio 2013 | By

O jornalista Paul Miller que, durante um ano todo, ficou fora da internet. Sua proposta era se desconectar completamente da rede e contar como essa experiência mudou sua vida depois desde período. Sem Twitter, smartphone, 9gag, Reddit, etc. ele achou que conseguiria organizar melhor suas prioridades, parar de procrastinar e se tornar uma pessoa melhor. No fim da jornada, uma revelação chocante: ele continuava o mesmo Paul. Em vez de gastar horas no Warcraft, em vez de trabalhar em seu livro, ele arranjou outros passatempos para distraí-lo. Ele não passou mais tempo com os amigos e com a família – na verdade, o fato de estar longe da rede até dificultou seus relacionamentos pela dificuldade de marcar encontros.

Ao mesmo tempo em que Paul revelava suas descobertas sobre a vida offline, acontecia a “Semana sem telas”, movimento cuja proposta era que, durante uma semana (de 29/05 até 05/05), você se desligasse do mundo das telas e prestasse atenção nas pessoas e na vida ao seu redor. Ou seja, participantes deveriam se afastar da TV, do smartphone, do computador e do tablet – não no trabalho, claro, afinal nem todos podem se dar ao luxo de receber dinheiro para se desconectarem, como Miller, mas nas horas em que estão em casa, nas quais não há a necessidade de se estar conectado.

Tendo em vista o exílio virtual de Paul e a Semana sem telas, fica a pergunta – hoje, é possível realmente se desconectar da internet? Afinal, de várias formas, o mundo todo está conectado. Se você está perdido e precisa de ajuda para encontrar uma rua, por mais que você não tire seu smartphone do bolso, a pessoa para quem você irá perguntar o caminho provavelmente irá conferir o Google Maps. Você não precisa ver a programação do cinema pela internet, pode apelar para o jornal. Mas a pessoa que escreveu a programação provavelmente a recebeu por e-mail dos gerentes do cinema. Hoje, a maior parte da informação pública passa, obrigatoriamente, pela web.

Questionei Paul sobre isso e ele confessou que, para que ele considerasse estar realmente offline, precisava ‘trazer as outras pessoas para seu nível’. O que significa que ele precisava convencer seus amigos, parentes e até estranhos na rua a sair, mesmo que por um momento, da web, para interagir com ele. Mas o que garante que eles não conversavam sobre coisas que tinham visto na rede? Paul poderia até não saber, mas a web continuava conversando com ele.

A internet é a consciência coletiva humana. Enquanto a rede funcionar, é impossível não ser afetado por ela. Minha avó de 70 anos, que nunca sequer tocou em um mouse, pede para que seus netos imprimam receitas do site da Ana Maria por ela. Você pode estar sem telas, mas, na minha opinião, não são elas que o deixam conectado.

Luciana Galastri

Um comentário em “Conseguimos ficar longe da internet?

  1. AntonellaNo Gravatar disse:

    Nãooooooo literalmente … veja euu … primeiro dia de trabalho .. horário de almoço .. primeira coisa que vim procurar ? suahsaushasuashasuahau que coisa mais seria tchê …isso é doença ?

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: