Conspirações, aviões de espionagem e OVNIs: a verdade sobre a Área 51

31 ago 2013 | By

Depois de anos de segredo, relatório com informações sobre aviões U-2 e a famosa área militar norte-americana é divulgado pela CIA

IMAGEM: Foto de satélite do Lago Groom, em Nevada (EUA), que fica junto à Área 51. FONTE: Nasa

IMAGEM: Foto de satélite do Lago Groom, em Nevada (EUA), que fica junto à Área 51. FONTE: Nasa

Graças a um pedido feito pelo Arquivo de Segurança Nacional – nome de um grupo de jornalistas e pesquisadores acadêmicos que cobra do governo dos EUA a liberação de documentos históricos secretos – a CIA divulgou, há duas semanas, um relatório sobre o programa de aviões de espionagem U-2 que inclui informações sobre a infame “Área 51”, uma base militar onde, diz a mitologia ufológica, estariam estocados corpos de alienígenas e tecnologia espacial avançada, como visto no filme Independence Day.

A história dos aliens mortos é, na verdade, apenas um dos itens mais sóbrios no cardápio de conspirações envolvendo a Área 51. Outras versões dão conta de que a base seria, na verdade, a entrada de um reino subterrâneo onde tropas americanas lutam contra alienígenas ou, mesmo, cooperam com eles (e com os nazistas, ou os Illuminati, ou todos juntos) para escravizar a humanidade.

“A área 51 (…) pode não pertencer mais a forças leais ao governo dos Estados Unidos, ou mesmo à raça humana”, escreve “Branton”, autor de um clássico underground das teorias de conspiração, The Dulce Book. É uma obra fascinante, ainda que de estilo cansativo, bem fácil de achar online. Nela somos informados, por exemplo, de que os Illuminati entregaram três quartos do planeta aos ETs cinzentos, em troca de tecnologia alienígena de controle da mente.

O relatório da CIA, por sua vez, é bem menos hollywoodiano. No capítulo sobre objetos voadores não identificados, afirma que “os testes de U-2 em altitude elevada logo levaram a um efeito colateral inesperado: um tremendo aumento nos informes de UFOs”. O texto segue explicando como, nos anos 50, os aviões secretos voavam muito mais alto que os aparelhos comerciais, ou mesmo que os aviões militares “públicos”.

“A fuselagem prateada dos U-2 de alta altitude podia pegar o sol e causar reflexos ou brilhos súbitos que podiam ser vistos a altitudes inferiores, ou mesmo do solo. Na época, ninguém acreditava que o voo tripulado fosse possível acima de 60.000 pés (18 km), então ninguém esperava ver objetos tão elevados no céu”, diz o relatório oficial. Um dado curioso é que este mesmo relatório sobre os aviões U-2 já havia sido divulgado há alguns anos, mas com todas as referências à Área 51, que agora aparecem abertamente, censuradas.

Por que tanto segredo? Há especulações de que, além de abrigar os U-2, a base teria servido para testar outros aviões secretos, e isso até tempos recentes. E também para a análise, ultrassecreta, de aviões soviéticos capturados.

Neste ponto, vale perguntar quem merece crédito. É uma questão de sopesar a evidência, tanto contextual quanto concreta. Da conexão entre a base e os óvnis, sabemos que os aviões U-2 são um fato histórico, o que é mais do que se pode dizer de visitantes alienígenas. E reflexos da luz do sol em fuselagens metálicas não violam nenhuma lei física conhecida. Já discos voadores…

Claro, sempre dá para especular que o relatório divulgado é parte de uma conspiração maior, a mesma que, até agora, vinha suprimindo ou censurando documentos. Mas, nessas horas, é bom respirar fundo e evitar a falácia do marido ciumento, para quem tudo é prova de traição: se a mulher o trata mal é porque tem outro; se o trata bem, é para despistar. Adaptemos a conclusão às provas, não o contrário.

Revista Galileu

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: