Dinheiro torna as pessoas piores, diz pesquisador

06 set 2013 | By

 Um grupo de pesquisadores do departamento de psicologia da Universidade da Califórnia resolveu mexer com gente grande. Em apenas um estudo, eles disseram que pessoas como Bill Gates, a dupla Larry Page e Sergey 0,,69830568,00 Brin, Mark Zuckerberg, além dos brasileiros Abílio Diniz e Jorge Paulo Lemann são potencialmente cretinos e desonestos. A justificativa? Eles têm dinheiro.

Segundo o psicólogo social Paul Piff, com pós-doutorado pela UC de Berkeley, o dinheiro e consequentemente a riqueza estão diretamente associados a modos de pensar gananciosos. E pessoas assim tendem a ter comportamentos negativos, trapaceando quando possível, desrespeitando leis e outras pessoas mais pobres através de uma lógica egoísta, mas que o dá a sensação de poder fazer o que quiser, pelo fato de poder fazer.

”A riqueza faz crescer a sensação de liberdade, controle e independência na vida de uma pessoa. Isso pode ser bom. Mas no nosso estudo, olhamos algumas das consequências desse aumento de liberdade, controle e independência. Uma delas é que você se apoia menos em relacionamentos e prioriza mais a si mesmo, suas conquistas, suas necessidades”, explica Piff. “Tais efeitos são transmitidos culturalmente, através de valores, família, etc. Em termos dos comportamentos que observamos, encontramos efeitos psicológicos (o modo como pensa) e comportamentais (o modo como age). Muitos desses comportamentos se explicam pelas diferentes tendências psicológicas do rico versus o pobre.”

No artigo publicado pela Academia Nacional de Ciências americana, o grupo expõe dados obtidos a partir de uma seleção de estudos que avaliaram o comportamento de quase 1 mil pessoas. Entre os testes, havia um sobre descumprimento de leis de trânsito (dando passagem ou cortando outros carros, ou ainda não permitindo a travessia de pedestres na faixa); um que colocava o participante para ler histórias de personagens desonestos e corruptos e lhes perguntavam em seguida se o entrevistado faria o mesmo. Outro era sobre entrevista de trabalho: os pesquisadores instruíam o participante para interpretar o entrevistador, que deveria conseguir o salário mais baixo possível ao candidato, mas o candidato esperava uma vaga de no mínimo dois anos, enquanto o entrevistador está ciente de que em seis meses a vaga será fechada.

Talvez o mais curioso dos testes, bem parecido com essas pegadinhas com câmeras escondidas, colocava o participante para responder um questionário em uma sala sozinho, onde há um pote de doces em cima da mesa. A instrutora avisa o participante de que as balas são para um grupo de crianças que vai visitar o laboratório naquele dia, mas que ele poderia pegar uma ou outra, se quisesse. outro que o tentava com um pote de balas destinadas a crianças e outro que simulava um jogo de dados no computador. Um último teste colocava os participantes para jogar um software de dados no computador: o dado podia ser jogado até cinco vezes (podendo gerar no máximo 30 pontos), mas o software havia sido programado para, na soma, totalizar no máximo 12 pontos (logo, quem falasse que tirou mais que isso estava mentindo); enquanto a promessa dos instrutores era de que a cada cinco pontos conquistados nos dados, os entrevistados ganhariam mais dinheiro.

Em todos, adivinhe o nível das classes sociais às quais pertenciam os indíviduos que mais desrespeitaram as leis de trânsito, que esconderam mais doces no bolso ou que falaram que tiraram mais de 12 pontos nos dados?

Fizemos três perguntas ao psicólogo Paull Piff:

Só o dinheiro causa isso?
De jeito nenhum. A ética, a moralidade, a generosidade, a compaixão – são todos moldados por uma série de variáveis pessoais, sociais e culturais diferentes. A riqueza é apenas uma parte da equação, mas o nosso trabalho sugere que é um fator significativo, e uma tem uma influência única no psicológico e no comportamental.

Há “bons burgueses”? Como explicar a caridade?
Esse é um bom ponto. Nossa pesquisa olha para milhares de pessoas em cerca de 40 estudos diferentes, mas é importante reconhecer que estamos apenas testando médias entre os diferentes grupos, então explicar o comportamento dos indivíduos (em oposição ao de grupos de indivíduos) é muito difícil de se fazer. Encontramos correlações significativas, mas é claro que existem muitas exceções aos padrões que documentamos. Nosso trabalho agora é olhar para os motivos e antecedentes destas “condições fronteiriças” – por exemplo, testar por que certos indivíduos ricos, mas não outros, são muito generosos e compreensivos.

Esse comportamento tende a ser pior em país mais desiguais?
Nós ainda não temos dados sobre isso, mas eu suspeito que os padrões que documentamos seria exacerbado em culturas com desigualdades mais graves. Contudo, embora esta especulação não tenha sido testada ainda, há muitas pesquisas sobre os efeitos perniciosos da desigualdade (por exemplo, veja o livro The Spirit Level), o que nos dá algumas evidências indiretas que apoiam essa suspeita.

Revista Galileu

Um comentário em “Dinheiro torna as pessoas piores, diz pesquisador

  1. Elvira SLNo Gravatar disse:

    Interessante, concordo com o texto, quanto mais dinheiro, pior pra um relacionamento a dois.

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