Dommenique Luxor: “Qualquer mulher pode ser uma dominadora”

04 mar 2013 | By

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Dommenique Luxor: “Qualquer mulher pode ser uma dominadora”
A autora do livro “Eu, Dommenique – Entre, Feche a Porta e Deixe-se Dominar…” (Ed. Leya), fala com exclusividade sobre sua rotina apimentada de dominatrix e revela os segredos que toda mulher precisa saber para exercer seu poder sobre um homem na cama

A atual rotina da gaúcha Daniela, de 35 anos, em Porto Alegre, pouco lembra a vida agitada de alguns anos atrás, quando morava em Moema, bairro nobre de São Paulo. E tampouco a vida que levava muitos anos antes, quando nunca havia saído de sua cidade natal e travava uma batalha consigo própria para livrar-se de um emprego entediante e encontrar o seu lugar no mundo.
As coisas mudaram tanto que Daniela agora é Dommenique Luxor, uma das poucas mulheres a trabalhar como dominadora profissional no Brasil. Pedaços de sua história e detalhes sórdidos de algumas sessões de dominação e BDSM (sigla para Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) estão no recém-lançado “Eu, Dommenique – Entre, Feche a Porta e Deixe-se Dominar…” (Ed. Leya).
No livro, Dommenique conta (com aqueles detalhes sórdidos que todo mundo tem curiosidade de saber) como funcionava sua rotina de dominatrix, interrompida após um ataque de pânico: “A vida literalmente me ensinou que o presente é o único momento real, o resto são expectativas ou memórias”, afirmou em uma longa e animadíssima conversa com Marie Claire.
Mãe de um menino, a ex-estudante de História atualmente trabalha com projetos ligados à sexualidade. “Ganhava muita grana. Hoje, não tenho mais uma vida com luxo, mas consigo pagar minhas contas. Tenho relacionamentos estáveis e eles me ajudam”, conta.
A seguir, os detalhes picantes da entrevista exclusiva. Deixe a vergonha de lado e fique bem à vontade!
MARIE CLAIRE: Como se descobriu uma dominadora de homens?
DOMMENIQUE LUXOR: Ninguém nasce dominador, mas eu comecei a perceber que em todos os meus relacionamentos colocava, sem querer, o componente da dominação. Minha personalidade é desse jeito e eu só tinha afinidades com homens submissos.
MC: Como eles agiam?
D.L.: Um cara submisso é aquele que, no dia a dia, faz todas as suas vontades, com prazer. Não é porque é mais tímido ou porque tem certo estereótipo. Ele mostra que tem prazer em te dar prazer, é isso que o realiza como homem, que levanta a autoestima dele, a submissão é a zona de conforto e ele quer permanecer lá.
MC: Quando a dominação virou profissão?
D.L.: Há oito anos comecei a pesquisar o assunto na internet, depois que um francês com quem me relacionava disse que eu tinha o tipo certo. Na época, estava super insatisfeita com meu trabalho, em um banco, e tentava me encontrar. Descobri que a atividade é comum em países da Europa, mas no Brasil é quase inexistente. Como o meio aqui não é estruturado, desenvolvi ferramentas próprias de divulgação, conquistei clientela e comecei a cobrar pelas sessões. Considero que me tornei profissional ao longo dos anos, quando passei a me sustentar com a dominação.
MC: Em algum momento se questionou moralmente sobre se assumir uma dominadora profissional?
D.L.: Sim, eu tive vários dilemas morais, mas tinha a ver com o julgamento que eu fazia de mim mesma, não do que as pessoas iriam pensar. Também me questionava sobre como meus pais encarariam a situação. Mas daí, fui me descobrindo, abstrai do que passava ao redor, da cultura que estava inserida, porque a resposta estava dentro de mim. Sempre encarei a dominação como um exercício de liberdade e ter que esconder isso dos meus pais, era como não me sentir livre totalmente. Então entendi que já fazia aquilo entre quatro paredes, só estava profissionalizando.
MC: Como você diferencia a dominação profissional da prostituição?
D.L.: O cliente que procura uma garota de programa busca satisfação pessoal e sexual da mesma forma que o homem que entra em contato com uma Dominatrix. Exercer a dominação profissional é também uma prestação de serviço, assim como a prostituição. Mas, a dinâmica é completamente diferente. Acho que, ao contrário do lugar comum, as prostitutas que transam com quem querem, não executam os fetiches dos clientes e são pagas para ter prazer deveriam ser chamadas de Dominatrix – e não ao contrário. As pessoas julgam as dominadoras como prostitutas, como uma forma de rebaixar, como se ser prostituta fosse algo escandaloso, sujo, vergonhoso. Não há mal nenhum em ser chamada de prostituta – é uma profissão como outra qualquer.
M:C Como são as sessões de dominação? Rola sexo?

D.L.: O interessado – homens e mulheres – me escrevem por e-mail, contam como gostariam que fossem as sessões, que tipo de dominação têm interesse. Se tiver a ver com o que eu gosto, combinamos os detalhes e marcamos. O sexo só acontece se eu sentir vontade. Muitas vezes eu me excito, mas se naquela hora eu não quero, não rola.
MC: Como você explica o sentimento de um submisso, de um cara que paga para passar por situações humilhantes e até sentir dor?
D.L.: O submisso é um mistério. Algumas coisas na cultura dele, no entorno, foram agregando características à personalidade, foram lhe rendendo respostas emocionais que passaram a refletir na maneira como ele lida com as pessoas, com a sexualidade. Ao contrário do que muita gente pensa, os submissos desenvolvem uma articulação mental muito forte e têm a sua parte de poder em uma sessão de dominação, mas a exercem de forma diferente, por meio da manipulação, do jogo de vítima, de culpa. Dominador é uma vítima. O submisso é o manipulador.
MC: O que é fundamental em uma relação entre dominadora e submisso?
D.L.: Confiança. No meu caso, como sou sádica, gosto de contemplar masoquismo e o cara tem que acreditar que vou fazê-lo sofrer, mas não vou matá-lo (risos). Porque, por mais que o cara tenha o fetiche de ser amarrado, torturado, chega uma hora em que ele vai pedir para ser solto. E a dominadora tem que ter o controle da situação e não atender aos pedidos dele. Por dentro, o submisso quer continuar naquela situação e ele só tem que ser solto quando eu quiser. É aí que ele se sente muito bem e tem prazer.
MC: Qual é o tipo de homem que te procura?
D.L.: A maioria é casada, mais velho, com seus 40 ou 50 anos. Geralmente já estão com a mulher há 20 anos, já têm uma vida estruturada, seu lugar na casa.
MC: Por que você acha que eles procuram dominadoras profissionais? O sexo dentro de casa está muito chato?
D.L.: De jeito nenhum. Isso é muito pessoal. É uma facilidade o cara partir para uma profissional que vai realizar o fetiche dele, sem sair de sua zona de conforto. Porque em casa ele quer manter o seu lugar de poder, não quer ser o dominado e sim o dominador. E sair desse papel de controlador dentro de casa é difícil. Não tem nada a ver com satisfação dentro de casa.
MC: Qual a posição que os homens mais gostam de ser amarrados?
D.L.: Cada um gosta de alguma coisa diferente, cada um tem o seu fetiche. Tem cara que gosta de ser amarrado com cordas, outros querem lutar comigo, literalmente. Já atendi homens que queriam que eu os chutasse.
MC: Qualquer mulher pode ser uma dominadora?
D.L.: Pode sim, a mulher já está bem livre para fazer a coisa do jeito que ela quer, para assumir os seus desejos e vontades. Se ela não faz o sexo dentro de casa do jeito que quer e está feliz, é porque faz fora. Todas temos fantasias sexuais, a mulher que não é satisfeita sexualmente é infeliz.

Revista Marie Claire

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