O tráfico humano e a internet: rede é usada para aliciar mulheres

01 mar 2013 | By

Criminosos usam a web para identificar potenciais vítimas e aliciá-las principalmente para fins de exploração sexual. Sites de relacionamento estão na mira da polícia

A audácia dos criminosos não tem limites. Cada vez mais aliciadores usam a internet para identificar e recrutar vítimastraficointernet01 para o tráfico humano. Criam falsas agências de modelos e de empregos ou utilizam negócios reais como fachada para atrair principalmente mulheres e meninas para exploração sexual. Apenas nos últimos dois anos, 1.096 páginas desse tipo foram denunciadas à ONG SaferNet. Entre 2011 e 2012, o número de casos que chegaram à entidade cresceu 17%. Desde abril de 2010, quando o primeiro foi reportado e repassado à Polícia Federal, 110 endereços que continham indícios claros do delito foram excluídos pelos provedores. “Muitas dessas páginas ilegais estavam hospedadas em redes sociais”, relata Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil. “Mas algumas delas, como o Twitter, tem sistematicamente se recusado a removê-las”.
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O tráfico humano, ao contrário de outros crimes praticados na internet, é de difícil comprovação. Estelionatários, por exemplo, costumam deixar rastros de seus malfeitos. Imagens comercializadas por redes de pornografia infantil, por si só, já evidenciam a existência do delito. Vítimas de aliciadores de seres humanos, não. Elas, geralmente, viajam voluntariamente para outras cidades ou países e só quando estão nas mãos dos criminosos descobrem que foram enganadas. “Cerca de 95% dos casos em que havia indícios para abertura de inquérito diziam respeito à exploração sexual de meninas e mulheres”, afirma Tavares. “O foco dos traficantes não são garotas de programa. São jovens de classe média e alta que trabalham, estudam e querem atuar como modelo para ganhar uma grana e complementar a mesada”.

Revista Marie Claire Globo

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