Pesquisa com ratos revela mecanismos do vício em cocaína

16 set 2013 | By

Droga induziu o desenvolvimento das novas estruturas, uma demonstração de que o cérebro ‘aprendeu sobre a droga’

Pesquisadores da Universidade da California fizeram um estudo com ratos que apresenta uma etapa importante no estudo do efeito viciante das drogas no ser humano. O experimento consistiu na aplicação de uma pequena dose de cocaína nos animais, que então sofreram “modificações” cerebrais e passaram a procurar pela droga mais vezes. 0,,69831427,00

Após a dose, em menos de duas horas, os pesquisadores observaram que no lobo frontal dos roedores despontaram vários e vários pequenos fios, chamados de “espinhas dendríticas”, que funcionam como conectores de neurônios e, assim, formam a múltipla rede cerebral.

Segundo a doutora Linda Wilbrecht, professora de neurociência do campus de Berkeley e chefe da pesquisa, a droga induziu o desenvolvimento das novas estruturas, uma demonstração clara de que o cérebro ‘aprendeu sobre a droga’.

Então é um bom sinal? Afinal, o cérebro está aprendendo alguma coisa, certo?

O problema do novo conhecimento formado é que ele atrapalha a formação de novas ligações, de novos aprendizados e consequentemente de novas atividades cerebrais. O que, traduzindo, significa que o animal deixa de buscar a realização de outras necessidades e se contenta com a recém-aprendida.

“O lado ruim é que você estar aprendendo muito bem sobre drogas em detrimento de outras coisas”, explica Wilbrecht. Coisas essas, que em um nível humano, podem ser bastante importantes, como se alimentar melhor, fazer uma atividade física ou se relacionar com outras pessoas.

No teste, os pesquisadores colocaram um rato em uma caixa com dois ambientes, um que exalava cheiro de canela e outro, baunilha. Isso para que ficasse evidente para o rato que se tratavam de ambientes diferentes.

0,,69831428,00Livremente, o rato escolheu primeiro a sala com canela. Lá, recebeu uma dose de soro fisiólogico (que não tem efeito sobre o animal) e a passagem entre as salas foi fechada. No outro dia, ele foi fechado na sala de baunilha e sofreu a aplicação de uma dose de cocaína. No dias seguintes, o rato era deixado livre para escolher qual sala gostaria de ir, e, sem exceção, o rato se deslocava para a sala onde havia recebido a dose de cocaína.

“Isso indica que o rato estava procurando por mais cocaína”, diz Wilbrecht. “A mudança de preferência pela cocaína está relacionada com as novas espinhas recém-adquiridas. Essas mudanças podem explicar como as induções provenientes da droga funcionam diminuindo o poder dos centros de tomada de decisão do cérebro humano.”

Revista Galileu

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