Professor de física recria o som do início do universo

24 abr 2013 | By

Pesquisador americano fez duas versões do barulho do Big Bang: uma em 2003 e outra agora, com dados muito mais detalhados. Ouça a simulação

Em 2001, o Professor de Física da Universidade de Washington, John Cramer, publicou uma coluna em uma revista científica descrevendo como seria o som do Big Bang. Quando uma mãe escreveu para ele perguntando se seu filho de 11 anos poderia usar a gravação em um trabalho escolar, ele foi obrigado a dizer que não. Não existia gravação nenhuma.
Confrontado com tão singelo pedido, ele percebeu que transformar a descrição em gravação não seria tão difícil e resolveu por a mão na massa. Depois de uma manhã de programação, ele havia concluído a simulação: apesar da complexa ambição do tema, o formato do arquivo era o bom e velho .wav. Assim que os cachorros de John ouviram o barulho, entraram correndo na sala e, depois de um tempo de agitação e correria, se deitaram e ouviram a sinfonia cósmica sem pressa.
Mas como é possível simular o som de algo que aconteceu há quase 14 bilhões de anos? E aquela história que o som não se propaga no vácuo? Bom, John tem a resposta para as duas perguntas. Sua simulação é referente ao universo quando ele ainda era uma criança de 760 mil anos de idade. Tudo era feito de plasma e hidrogênio, um meio bem mais denso que o ar que respiramos hoje em dia.

Em um documento sobre a simulação, John explica que “não é preciso ar para haver som, basta que haja um meio que permita às ondas aumentarem e diminuírem de densidade”. E isso havia de sobra. Para definir qual o barulho do começo de tudo, ele analisou as variações de temperatura das micro-ondas cósmicas – as frequências do nascimento do universo eram muito baixas, então John teve que reajustá-las a uma frequência audível para os humanos. Quanto mais o universo expande, mais ele estica as ondas sonoras e mais grave o som fica.
O trabalho de 2003 foi baseado em dados colhidos pela WMPA, a Wilkinson Microwave Anisotropy Probe, missão da NASA lançada em 2001. Dez anos depois, ao saber da existência do Planck, observatório criado pela Agência Espacial Europeia, o professor de física resolveu atualizar seu projeto o que, na prática, significa dar uma remixada em sua simulação. Dessa vez o espectro de frequências é muito mais preciso, tornando o barulho mais fiel ao som original. O vídeo que você conferiu acima é referente à versão de 2013.

Revista Galileu

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