Ebola seria uma doença comparável a AIDS?

01 set 2014 | By

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A mais recente epidemia do vírus Ebola tem aparecido nas primeiras páginas dos jornais e noticiários e está a gerar alguma apreensão na opinião pública. É por isso necessário analisarmos com frieza os fatos sobre a epidemia.

Esta é uma infecção com uma elevada taxa de mortalidade, que pode ir de 60% até 90% e essa será porventura a principal razão para ser tão temida. A rapidez com que passa de sintomas ligeiros até hemorragias generalizadas que levam à morte também faz com que seja uma infecção que causa grandes receios.

Mas neste aspecto, as infecções com longos períodos de incubação como é o caso do vírus HIV podem ser mais temíveis em termos de saúde pública pelo maior potencial de serem transmitidas. Também a este respeito o Ebola não é por acaso tão temível como a gripe, por exemplo já que não se transmite por via aérea mas sim por contato com fluídos de doentes .

Um dos grandes obstáculos ao controle das epidemias em geral e em particular desta, é a falta de informação que é comum nos países africanos mais atingidos. Com elevadas taxas de analfabetismo não é fácil educar as populações para evitarem comportamentos de risco.

Há também muitas crenças que não são baseadas em fatos científicos, além de desconfiança que leva a que por vezes se escondam os casos de infecção. Aliado a tudo isto há claro o problema de falta de instalações de saúde preparadas para tratar de um crescente número de casos, além de recursos limitados no que diz respeito a equipamentos de proteção que assumem neste caso uma importância vital para os médicos e enfermeiros que lidam com os doentes.Ebola

Podemos dizer, por isso, que à semelhança de outras infecções, o baixo desenvolvimento de um país faz com que seja mais vulnerável.

No entanto, esta epidemia está a por de prevenção também os países desenvolvidos já que na sociedade globalizada em que vivemos com rotas de avião a ligarem em poucas horas diferentes continentes, há um potencial grande de transmissão de qualquer infecção.

É por isso provável que alguns casos possam aparecer noutros países, tendo tido origem em pessoas que se deslocam de avião, mas deverá ser possível nesses países conter a infecção se for evitado o contato com o doente e se quem presta cuidados de saúde estiver devidamente preparado e informado.

Quanto aos países africanos afetados é esperado que a infecção possa vir a ser controlada tal como aconteceu noutras epidemias anteriores, embora deva ainda causar bastantes vítimas.

No entanto, com a desflorestação e o contato mais próximo das populações com animais selvagens que constituem o reservatório natural do vírus, poderemos assistir a epidemias mais frequentes, não só de Ebola mas também de outros vírus letais.

 OMS espera que uma vacina preventiva esteja disponível em 2015

Uma vacina preventiva contra o Ebola deverá passar à fase de ensaios clínicos em setembro e poderá estar disponível em 2015, disse o diretor do Departamento de Vacinas e Imunização da Organização Mundial de Saúde (OMS) à rádio francesa RFI.

Segundo o responsável, em setembro devem avançar os ensaios clínico da vacina que está a ser desenvolvida no laboratório britânico GSK, primeiro nos Estados Unidos e depois num país africano, uma vez que é em países do continente Africano que têm surgido casos.

Jean-Marie Okwo Bele disse que ,no final do ano já se pode «obter resultados» e que, se esses testes forem bem sucedidos, poderá ser comercializada a vacina ainda durante o próximo ano.

Como é uma emergência, podemos colocar em prática procedimentos de emergência para que em 2015 possamos dispor de uma vacina, acrescentou o diretor do Departamento de Vacinas e Imunização da OMS, numa entrevista que será hoje divulgada na íntegra ao final da tarde.

De momento, não há tratamento específico no mercado para tratar ou prevenir a febre hemorrágica Ebola causada por um vírus que mata em poucos dias. A taxa de letalidade (relação entre o número de casos e mortes) é superior a 50%.

Várias vacinas estão sendo testadas, enquanto um tratamento promissor, ZMapp, foi o primeiro a ser testado em norte-americanos infectados em África depois de bons resultados em macacos.

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