“O MERCADOR”

04 fev 2014 | By

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“O MERCADOR”

Eu sou um simples mercador,
e não passo de um humilde caixeiro viajante.
Alguns dizem que sou um grande comerciante,
outros que sou um louco,
e há quem diga que sou um pobre caminhante.
Eu vendo coragem para as pessoas inseguras,
ousadia para qualquer tipo de fobia,
alegria para os que perderam o encanto pela vida,
e sensatez para quem não tem cautela ou prudência.

Se você se julga um grande pensador,
tenho um estoque inesgotável de críticas para lhe fazer.
Críticas para você pensar como nunca pensou antes.
Posso lhe vender uma pequena vírgula,
para que você continue a escrever ou reescrever sua história.
Liberdade, ora liberdade.
Você pensa que é livre para ir e vir,
mas não passa de um prisioneiro, controlado, sem suavidade.
Sequer tem liberdade para arejar sua própria personalidade.

Sendo sincero, você já desafiou a rebeldia do pensamento,
e uma dose de loucura para libertar a sua criatividade?
Acho que não!!!!
Todo grande pensador freqüenta lugares nunca antes habitados.
Honestamente, você não passa de um mero repetidor,
um repetidor de informações.
Talvez a sua vida se afigure ser o que não é,
a mesmice de sempre,
não tenha nenhum sentido, mais do que já teve até aqui.

Porque você não se torna um humilde mercador,
assim como eu?
Embrenharíamos em uma jornada sem destino,
sem agenda, completamente imprevisível.
Loucuras? Talvez, mas não menos daquelas que já vivemos.
Minhas armas são as idéias, mais poderosas, mais penetrantes.
Vamos estimular as pessoas a enxergar seu superficialismo,
e a cheirar o odor das próprias tolices.
Vamos tornarmos especialistas em instigar a inteligência.
Provar que a admiração é mais forte que o poder,
que o carisma é mais intenso que as pressões,
que o carisma é fundamental para assimilar o conhecimento.

Não teremos documentos.
Nossa identidade será o que somos.
Deixaremos de sermos robôs,
e passaremos a formar cidadãos que sonham em ser livres.
Nunca ofereceremos nossos ombros para chorarem.
Ao invés da tristeza,
nós os ensinaremos a pensarem.
Viva esse sonho,
e tente sair de uma prisão em que há anos se metera.
Quem não revela suas fobias esconde suas fragilidades.
Se não reconhece seus limites e suas instabilidades, é fraco.
Cada mente é um universo infinito.

Somente os loucos se entendem.
Uns têm uma loucura visível e, outros, oculta.
A minha é visível. Deus livra-me das pessoas “normais”.
Vamos percorrer o mundo pelas janelas da emoção.
Deixaremos de sermos discretos, contidos, serenos, ter voz dosada, etc.
Não sabemos improvisar, soltar-se, pois vivemos presos aos dogmas da sociedade.
Eu era normal e, como muitos normais, minha loucura era oculta,
disfarçada, mas minha cura dependia somente da espontaneidade.
Precisava de uma vírgula para continuar respirando.
Fiquei impressionado quando me libertei do meu esqueleto.
Os pequenos gritos de liberdade me transformaram em outra pessoa.

Felizes os que dão risadas das suas tolices, pois deles é a fonte do relaxamento.
Dance sobre a pista do autoconhecimento. Poderá ter o melhor parceiro de seu lado,
mas será infeliz se não tiver um romance com a própria vida.
O objetivo fundamental do conhecimento não é o sucesso, mas nos livrar do fantasma do conformismo.
Conquistas sem riscos são devaneios sem mérito.
Ninguém é digno de seus sonhos se não usar suas derrotas para cultivá-las.
Os grandes pensadores foram considerados loucos, mas assumiam os riscos.
As grandes descobertas da ciência foram produzidas nos devaneios dos cientistas.
Só dorme bem quem aprende primeiramente a repousar dentro de si.
A busca eterna pelo conhecimento é mais valiosa do que o ouro e a prata.

Tente compreender o invisível.
Somos os que somos.
Só me sinto digno de minhas asas se eu as utilizar para fazer os outros voarem.
Onde esta a sua arte da observação?
Vamos fingir que somos normais.
Morremos mais cedo hoje que no passado.
Você precisa perder o medo de se perder.
Venha, e caminhe ao meu lado.
Vamos nos tornar mercadores de idéias em uma sociedade que deixou de pensar.

Daleck

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