Borderline – Transtorno de Personalidade

03 abr 2017 | By

O que é Transtorno de personalidade borderline?
Sinônimos: transtorno de personalidade limítrofe

O Transtorno de Personalidade Borderline é uma condição mental grave e complexa cujos sintomas instáveis e pungentes podem invadir o indivíduo de modo súbito, caótico, avassalador e desenfreado. Os critérios diagnósticos de Transtorno de Personalidade Borderline segundo o DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª Ed. 2013) compreendem um padrão de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem e dos afetos e de impulsividade acentuada que surge no começo da vida adulta e está presente em vários contextos.
O termo Transtorno de Personalidade Borderline foi usado pela primeira vez em 1884 e desde então passou por diversos conceitos ao longo dos anos. Originalmente designava um grupo de pacientes que vivia no limite da sanidade (daí o termo limítrofe), ou seja, na fronteira (borda, borderline) entre a neurose e a psicose. Alguns autores da época usavam esse diagnóstico quando havia sintomas neuróticos graves. Foi só na década de 1980 que o diagnóstico da doença se tornou mais preciso. Até então, muitos médicos acreditavam, equivocadamente, que a personalidade de uma pessoa era imutável.
A prevalência média do Transtorno de Personalidade Borderline na população é estimada em 1,6%, embora possa chegar a 5,9%. Essa prevalência é de aproximadamente 6% em contextos de atenção primária, de cerca de 10% entre pacientes de consultórios psiquiátricos e de ambulatórios de saúde mental e por volta de 20% em pacientes psiquiátricos internados. A prevalência do Transtorno de Personalidade Borderline pode diminuir nas faixas etárias mais altas (DSM-5). O Transtorno de Personalidade Borderline é diagnosticado principalmente em pessoas do sexo feminino.

Causas
As causas e ou fatores envolvidos no surgimento de Transtornos de Personalidade, como o Transtorno de Personalidade Borderline, são vários e abrangem desde a predisposição genética até experiências emocionais precoces e fatores ambientais, com destaque para as situações traumáticas e situações de abuso e negligência. Entenda melhor cada uma delas

Fatores genéticos
Fatores genéticos têm um papel importante. O Transtorno de Personalidade Borderline é cinco vezes mais frequente em parentes biológicos de 1º grau de pessoas com o transtorno do que na população em geral. É relevante a presença de pais borderlines (um ou ambos) na história clínica desses pacientes

Instabilidade familiar
Impacto do ambiente familiar no desenvolvimento da criança pode ser um fator causal importante. Cerca de 80% dos pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline veem o casamento de seus pais como muito conflituoso. Muitos desses pacientes passaram por negligência e abusos físicos e sexuais dentro da família. Porém, há pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline com familiares absolutamente comuns, sem nada de anormal.
Também há aumento do risco de Transtorno de Personalidade Borderline quando existe na família, o pai e ou mãe com transtorno por uso de substância, Transtorno de personalidade antissocial e transtorno depressivo ou transtorno bipolar.
O Transtorno de Personalidade Borderline seria também a consequência de uma educação muito autoritária, onde pais rígidos sempre imporiam seus desejos. Com o tempo as tentativas de autoafirmação da criança sucumbiriam aos desejos dos pais e ela se habituaria a se submeter sempre aos pais, desenvolvendo dúvidas sobre a própria capacidade e vergonha pelos seus fracassos. Aos poucos a criança iria parando de tentar expressar as suas vontades podendo levar a falhas na clarificação psíquica de si e do outro.
Sintomas de Transtorno de personalidade borderline
Indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline se caracterizam especialmente por sofrerem grande instabilidade emocional, desregulação afetiva excessiva, sentimentos intensos e polarizados do tipo “tudo ótimo e tudo péssimo” ou “eu te adoro e eu te odeio”, angústia de abandono, percepção de invasão do self, entre outros, que não raro geram comportamentos impulsivos perigosos sendo comum a presença recorrente de atos autolesivos, tentativas de suicídio e sentimentos profundos de vazio e tédio. O início do transtorno pode ocorrer na adolescência ou na idade adulta e o uso dos recursos de saúde e saúde mental é expressivo nesses pacientes.
Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline são verdadeiros vulcões prontos a explodir a qualquer instante. Elas apresentam alterações súbitas e expressivas de humor e suas relações interpessoais são intensas e instáveis sendo muito difícil o convívio próximo com elas.
Elas temem o abandono real ou temido, com frequência vivenciam sentimento crônico de vazio e reação pungente ao estresse, protagonizando sucessivas ameaças (ou tentativas) de suicídio e automutilação. O modus operandis desses pacientes traz um sofrimento enorme tanto para si próprios como para os que com eles convivem. Uma só palavra mal colocada, uma situação inesperada sem relevância ou uma leve frustração pode levar o borderline a um acesso de raiva e ódio que duram em média poucas horas. Outra característica importante é que o borderline nem sempre sabe lidar com o êxito. É comum que eles abandonem ou destruam seus alvos e metas justo quando a perspectiva de consegui-las é real e próxima.

Outros  sintomas do Borderline:
Esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginário
Padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização (lembrando que relacionamento interpessoal acontece entre uma ou mais pessoas e é regido por normas comportamentais que orientam suas interações, já que seu contexto pode ser familiar, escolar, de trabalho ou de comunidade.)
Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e persistente da autoimagem ou da percepção de si mesmo
Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas (gastos, sexo, abuso de substância, direção irresponsável, compulsão alimentar)
Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante
Instabilidade afetiva devida a uma acentuada reatividade do humor: disforia episódica (mudança repentina de ânimo pra tristeza, angústia, pena), irritabilidade ou ansiedade intensa com duração geralmente de poucas horas e apenas raramente de mais de alguns dias
Sentimentos crônicos de vazio
Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade em controlá-la (mostras frequentes de irritação, raiva constante, brigas físicas recorrentes)
Ideação paranoide transitória associada a estresse ou sintomas dissociativos intensos.

TRATAMENTOS PARA BORDERLINE 

O tratamento para o transtorno de personalidade borderline inclui medicamentos prescritos por um psiquiatra tais como: anti-depressivos, anti-psicóticos e estabilizadores de humor concomitantemente com sessões de terapia.

Sobre a Medicação

Um número de medicamentos é usado em pacientes com TPB.
Devido ao fato de o transtorno ser considerado primariamente uma condição psico-social, a medicação tem mais como função tratar as comorbidades, como ansiedade e depressão, do que o transtorno em si. Antidepressivos são usados para melhorar o sentimento de vazio e antipsicóticos são usados para diminuir os quadros de automutilação e os sintomas dissociativos.
Já os estabilizadores de humor são usados para como diz o próprio nome estabilizar o humor.
A escolha e a administração dos medicamentos varia de paciente para paciente, e as terapias indicadas especificamente para o borderline são as que veremos a seguir.

Terapia Comportamental Dialética
Estabelecida nos anos 1990, a terapia comportamental dialética se tornou uma forma de tratamento do TPB, originada principalmente como uma intervenção para pacientes com comportamento suicida.
Essa forma de psicoterapia deriva da terapia cognitivo-comportamental e enfatiza a troca e negociação entre o terapeuta e o cliente, entre o racional e o emocional, e entre a aceitação e a mudança.
O tratamento tem como alvo os problemas com a automutilação.
O aprendizado de novas habilidades é um componente principal, incluindo consciência, eficácia interpessoal, cooperação adaptativa com decepções e crises; e na correta identificação e regulação de reações emocionais.

Terapia de Esquemas
Outra forma de terapia que também se estabeleceu nos anos 1990 e tem como base uma aproximação integrativa derivada de técnicas cognitivas-comportamentais juntamente com relações objetais e técnicas da gestalt.
Esta terapia se direciona aos mais profundos aspectos da emoção, personalidade e esquemas (modos fundamentais de relacionamento com o mundo).
A terapia também foca o relacionamento com o terapeuta (incluindo um processo de quase paternidade), vida diária fora da terapia, e experiências traumáticas na infância.

Terapia Cognitivo-Comportamental

A TCC é uma forma de psicoterapia que se baseia no conhecimento empírico da psicologia. Ela abrange métodos específicos e não-específicos.
E apesar de ser o tratamento psicológico mais usado em doenças mentais, parece ter menos sucesso no TPB, devido parcialmente às dificuldades no
desenvolvimento de uma relação terapêutica e aderência à terapia.
Um estudo recente descobriu que resultados com essa terapia aparecem, em média, depois de 16 sessões ao longo de um ano.
Terapia Matrimonial ou Familiar
A Terapia matrimonial pode ajudar na estabilização da relação matrimonial e na redução dos conflitos matrimoniais que podem piorar os sintomas do TPB.
A Terapia familiar pode ajudar a educar os membros da família acerca do TPB, melhorar a comunicação familiar, e prover suporte aos membros da família ao lidar com a doença de seus amados.

Psicanálise

Com o ensino de Jacques Lacan, a clínica psicanalítica progrediu muito no que diz respeito ao tratamento deste quadro.
Assim oferece a possibilidade para o paciente de fazer novos ajustes, o que, consequentemente, provoca o apaziguamento dos sintomas e do sofrimento psíquico.
Dificuldades na Terapia
Existem desafios únicos no tratamento do TPB.
Na psicoterapia, por ser bastante sensível à rejeição o paciente pode reagir negativamente (por ex, se mutilando ou abandonando a terapia) se de alguma forma sentir que o terapeuta não gosta dele e pode vir a rejeitá-lo.
Além do mais, profissionais da área podem se distanciar emocionalmente dos indivíduos com TPB por auto-proteção devido ao estigma associado com o diagnóstico.
Serviços Mentais de Recuperação
Alguns indivíduos com TPB às vezes necessitam serviços mentais extensivos e têm sido contados como 20% das hospitalizações psiquiátricas.
A maioria dos borderlines continua usando tratamento fora do hospital por muitos anos. A experiência dos serviços varia.
Acessar os riscos de suicídio pode ser um desafio para profissionais da área mental (e pacientes tendem a subestimar a letalidade de seus atos) já que a taxa de suicídio é muito maior entre pacientes borderline do que entre o restante da população.
Borderlines são descritos pelos funcionários hospitalares como extremamente difíceis de lidar.
Tendo em conta que personalidade não se muda, chega-se então à conclusão que não existe nenhum tratamento de fato curativo para o TPB.
Porque o transtorno de personalidade não é uma doença!
Mas, se e quando, adequadamente medicado e com abordagens psicológicas aplicadas corretamente, o borderline aprenderá a lidar melhor com seu sofrimento.
Conseguirá também conter o sofrimento causado às pessoas que estão ao seu redor, e conseguirá levar uma vida praticamente normal.

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Tratamento Borderline

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