Epicondilite medial e Lateral – Causas , sintomas e tratamentos.

26 mar 2017 | By

Há inúmeras doenças relacionadas com dores e lesões causadas por movimentos repetitivos, ombros dolorosos,luxações,fraturas e cotovelo dolorosos entre elas estão:
Bursites, tendinites (tendinopatias) e a síndrome do impacto do ombro
Lesão dos tendões do manguito rotador
Tendinite calcária
Capsulite adesiva (ombro congelado)
Artrose do ombro
Artropatia do manguito rotador (artrose com lesão dos tendões do manguito rotador)
Discinesia da escápula (escápula alada)
luxacões
Luxação do ombro
Luxação do cotovelo
Luxação acromioclavicular (LAC)
Luxação esternoclavicular (LEC)
Fratura da extremidade proximal do úmero (úmero proximal)
Ombro do arremessador
Lesões SLAP (lábio superior da glenóide)
Osteólise da clavícula e artrose acromioclavicular
Rotura do bíceps distal
Rotura do bíceps proximal
Lesão do tendão do peitoral maior
Epicondilite lateral (cotovelo do tenista)
Epicondilite medial (cotovelo do golfista)
Rigidez do cotovelo (limitação dos movimentos do cotovelo)
Dor no cotovelo – causas e diagnóstico diferencial.

Conheça a Epicondilite:síndrome dolorosa causada pela inflamação da região do epicôndilo. Existem dois tipos de epicondilite.

O que é a epicondilite medial?

A epicondilite medial se caracteriza pelo processo inflamatório e degenerativo da origem dos tendões flexores do antebraço. Esses tendões são aqueles responsáveis pela flexão, ou seja, para dobrar o punho e dos dedos.
A epicondilite medial ocorre em aproximadamente 0,5% da população geral em idade produtiva, e apresenta maior prevalência na faixa etária de 45 a 55 anos. A maioria dos pacientes (75%) apresentam sintomas no membro superior dominante. A epicondilite lateral ocorre cerca de 7 a 10 vezes mais que a medial.

O que causa a epicondilite medial?

A causa principal da epicondilite medial é a sobrecarga repetitiva dos músculos flexores do antebraço. Diversos esportes e atividades podem gerar essa sobrecarga, como o golfe, o tênis e a musculação. Um evento único traumático também pode gerar a epicondilite. Atividades de trabalho que necessitam de movimentação repetitiva dos flexores também estão asssociados à epicondilite medial.

Quais os sintomas e como é feito o diagnóstico da epicondilite medial?

A epicondilite medial causa dor na parte medial (ou interna) do cotovelo. A dor pode irradiar para o antebraço, mas tem seu ponto mais doloroso próximo ao osso medial do cotovelo (epicondilo medial).
A neuropatia do nervo ulnar no cotovelo pode estar associada à epicondilite medial. Essa neuropatia significa uma compressão do nervo ulnar (síndrome do túnel cubital), que está logo posterior ao epicondilo medial e pode causar parestesia (formigamentos) no 4° e 5° dedos da mão e até perda de força nos casos mais graves.
Em algumas casos, a epicondilite medial pode estar associada à instabilidade medial do cotovelo. A instabilidade do cotovelo ocorre em praticantes de esportes de arremesso, que realizem o movimento em valgo de modo repetitivo, que pode causar lesões nos ligamentos mediais do cotovelo.
Exames de imagem são necessários apenas nos casos respondem ao tratamento inicial ou nos casos em que há dúvida quanto ao diagnóstico. O exame de ultrassom e a ressonância magnética são os mais utilizados e tem boa acurácia para o diagnóstico da epicondilite medial.

Qual é o tratamento da epicondilite medial?

O tratamento da epicondilite é não-operatório e deve ser ajustado às atividades de cada paciente e, como princípios gerais, baseia-se no controle da dor, na reabilitação da musculatura acometida e na prevenção. Apresenta uma taxa de sucesso de 88 a 96%. Para o controle da dor, diversas medidas podem ser indicadas pelo médico, como o uso de medicações anti-inflamatórias orais e tópicas, órteses e imobilizações e terapias como a fisioterapia ou a acupuntura. Infiltrações também podem ser indicadas caso as medidas prévias não sejam eficazes, mas apresentam alguns riscos e não são realizadas de rotina. A reabilitação baseia-se no alongamento da musculatura flexora, que quando realizado com ativação da musculatura antagonista pode ser mais eficaz, e no fortalecimento (para a fase mais tardia).

Como é a prevenção da epicondilite medial?

Após a recuperação da fase aguda dolorosa, a prevenção deve ser realizada, evitando novas crises e recidiva da dor. Alongamento e fortalecimento devem ser realizados de maneira padronizada e frequente. Ajustes no ambiente de trabalho devem ser feitos, evitando-se também a flexão repetitiva do punho e dedos. O treino do gesto esportivo, principalmente no tênis ou no golfe devem ser realizados, evitando o movimento de flexão forçada do punho, para diminuir a sobrecarga muscular da região flexora.

Como é o tratamento cirúrgico da epicondilite medial?

A cirurgia raramente é necessária nessa doença, pois as medidas de reabilitação, quando bem realizadas, resolvem o quadro doloroso. Eventualmente, a epicondilite medial pode persistir apesar do tratamento correto e prolongado. Nesses raros casos, a cirurgia pode ser necessária.
Existem diversas técnicas disponíveis para o tratamento cirúrgico e elas se baseiam na remoção dos tecidos doentes. Nos casos em que há alguma alteração do nervo ulnar, o mesmo deve ser tratado. A descompressão da região do túnel cubital é o procedimento mais comumente realizado. O nervo pode ser, em algumas técnicas, transposto, ou seja, transferido, para uma região mais anterior, que pode estar acima ou abaixo dos músculos do antebraço.

O que é a epicondilite lateral ou “cotovelo do tenista”?


A epicondilite lateral também é conhecida como “cotovelo do tenista”, mas não é um problema limitado a quem pratica esse esporte. Qualquer atividade que realize movimentos repetitivos do punho e dedos para cima (extensão) podem gerar a epicondilite lateral, como movimentos no computador e exercícios de musculação. Movimentos chamados de prono-supinação repetitivos, como os movimentos para se usar uma chave de fenda, também são um fator de risco.

Por que ocorre a epicondilite lateral?

Os músculos que fazem a extensão do punho e dos dedos tem origem na parte lateral do cotovelo, em uma proeminência óssea chamada epicôndilo lateral. Diversos músculos extensores são originados nessa região e quando realizam-se atividades com o punho para cima (estendido) esses músculos permanecem contraídos, gerando tensão no seu local de origem. Quando ocorre uma sobrecarga excessiva dessa região pode ser iniciado um processo inflamatório, que tem como objetivo cicatrizar pequenas lesões causadas pela tensão. Essa inflamação pode ser a causa das tendinites, muito comuns no antebraço e que são um diagnóstico diferencial da epicondilite. Na epicondilite, o processo é diferente, pois há uma degeneração das fibras de colágeno dos tendões, que pode ocorrer após uma inflamação inicial. Quando a sobrecarga continua ocorrendo, essa degeneração não apresenta melhora, cicatrizes de fibrose podem ser formar e o paciente passa a sentir dor crônica e diminuição de força.
Quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico da epicondilite lateral?
A epicondilite lateral causa dor na parte lateral do cotovelo, que pode se irradiar para o antebraço. A dor é localizada próxima a uma proeminência óssea (epicondilo lateral) e é bem identificada pelo paciente. Pode haver diminuição de força para extensão do punho e dos dedos. Normalmente não há diminuição dos movimentos do cotovelo. O exame físico pode ser suficiente para o diagnóstico. Exames de imagem podem ser necessários para descartar outras doenças e problemas que geram sintomas semelhantes. Radiografia simples e a ultrasonografia são exames que podem auxiliar no diagnóstico diferencial. A ressonância magnética é o exame mais acurado e permite avaliar tanto a epicondilite lateral quanto outras alterações locais. Não precisa ser realizado de rotina, mas é solicitado quando há dúvida quanto ao diagnóstico.

Como prevenir a epicondilite lateral?
Melhora da postura durante atividades no computador podem auxiliar. O apoio completo do antebraço na mesa e o uso de apoios para teclado e mouse são recomendados. Alguns modelos de mouse em que o punho permanece lateralizado também são uma opção. Pausas periódicas durante essas atividades, associadas a alongamentos, são métodos úteis tanto para a prevenção quanto para o tratamento. Para os praticantes de tênis, diversas medidas são recomendadas. Dentre elas, a melhora do gesto esportivo é a mais eficaz. Uma das causas da epicondilite lateral nos tenistas é o movimento de “backhand” com uso excessivo do punho para aumentar a potência ou para gerar efeito. Além disso, quando o tempo de bola está “atrasado”, o jogador tende a utilizar o punho para conseguir rebater de modo eficaz. A troca do encordoamento da raquete e do “grip” também são medidas possíveis.

Qual é o tratamento da epicondilite lateral?
O tratamento inicial consiste na diminuição da dor e da sobrecarga. Para a dimuição da dor existem diversas opções: gelo, medicações analgésicas e anti-inflamatórias, acupuntura e fisioterapia. Eventualmente na fase mais dolorosa podem ser realizadas infiltrações para alívio dos sintomas. O risco x benefício da infiltração deve ser discutido com seu médico. O mais importante é saber que a infiltração é apenas uma etapa do tratamento para a melhora do quadro. Para a diminuição da sobrecarga, diversas medidas podem ser tomadas. Além das medidas de prevenção descritas acima, a diminuição dos movimentos repetitivos ou a parada temporária dos mesmos (dependendo do grau dos sintomas) pode ser necessária. O uso de órteses para o punho ou de cintas na região do cotovelo também colabora com a diminuição da tensão local. Em seguida, o fortalecimento dos tendões e do antebraço é iniciado, de modo progressivo. Nos pacientes esportistas, uma orientação do gesto esportivo é importante para evitar a recidiva da dor. A melhora da dor nem sempre é imediata e a resolução completa da doença pode levar até 1 ano.

Como é o tratamento cirúrgico da epicondilite lateral?

A maioria dos casos apresenta boa resposta com o tratamento não operatório. Em alguns pacientes as medidas podem não surtir o efeito desejado. A cirurgia pode ser indicada nesses casos, mas sugerimos que todas as medidas não operatórias sejam corretamente realizadas por 3 a 6 meses antes da cirurgia. Na cirurgia, que pode ser realizada por via aberta ou por artroscopia, é realizada uma limpeza da área do tendão no epicondilo, chamada de desbridamento. A parte doente do tendão (com degeneração das fibras de colágeno) pode ser retirada nos casos mais graves, fato que não gera limitação dos movimentos quando realizada de modo cuidadoso. Existem alguns outros detalhes técnicos e do pós operatório que variam de acordo com a técnica utilizada e que devem ser orientados pelo médico especialista antes da cirurgia. Vale lembrar que a presença de um rompimento de tendão, mais precisamente do tendão do extensor radial curto do carpo, não é uma indicação obrigatória para a cirurgia.

Existem outros tratamentos para a epicondilite lateral?

Existem diversas outras opções para o tratamento da epicondilite. Dentre elas, infiltrações com diferentes substâncias são as mais estudas. Existem estudos avaliando o uso de um vasoesclerosante (muito usado em varizes), o uso de sangue do próprio paciente e o uso do plasma rico em plaquetas (PRP). Os resultados são muito variáveis e existem evidências de que essas substâncias melhoram os sintomas quando avaliadas em curto prazo (6 meses), mas sua real eficácia, quando comparadas ao tratamento tradicional, ainda não pode ser completamente comprovada.

 

Fonte: epicondilite

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