Falta de ar – dispnéia, causas e tratamentos

25 jun 2017 | By

O cansaço e falta de ar são sintomas que costumam andar juntos, por isso, são muitas vezes tratados pelos pacientes como se fossem a mesma coisa. Mas não são. A falta de ar, designada na medicina como dispneia, é uma sensação de dificuldade para respirar. É a impressão de que a quantidade de ar que entra nos pulmões é insuficiente. Pode-se manifestar também como uma dificuldade para expulsar o ar já respirado.
O cansaço ou a fadiga, é a dificuldade de se realizar esforços, mesmo que mínimos, como escovar os dentes ou pentear os cabelos.
O cansaço e a falta de ar costumam estar juntos, mas podem surgir isoladamente. Neste texto vamos falar apenas sobre a falta de ar.
A dispneia apesar de parecer um sintoma muito subjetivo, na verdade não é. A sensação de falta de ar realmente é muito individual, mas nós médicos, através do exame físico e de análises, conseguimos determinar muito bem a gravidade da dispneia.
Este detalhe é importante porque não é raro recebermos pacientes jovens e sem doenças queixando-se de dispneia devido a uma crise de ansiedade. Neste momento é importante saber distinguir quem tem uma dispneia real daqueles que acham que tem falta ar, quando na verdade não apresentam nenhum sinal de má oxigenação.
E uma vez estabelecida que a queixa de falta de ar realmente indica uma má oxigenação tecidual, é preciso quantificá-la para se avaliar a gravidade do caso.
Para poder distinguir as queixas de falta de ar da ansiedade das dispneias reais, é preciso entender como funciona a captação e utilização do oxigênio do ambiente.
O ar entra nas vias aéreas, desce pela traqueia e chega aos pulmões. Nos alvéolos pulmonares (que na verdade são microscópicos e não como está no desenho acima) ocorre o que chamamos de trocas gasosas. O oxigênio vai para o sangue, e o gás carbônico (CO2), que estava no sangue vai pra o alvéolo para ser devolvido às vias aéreas e expelido na respiração. Portanto, inspiramos oxigênio e expiramos gás carbônico.
O oxigênio não fica “solto” no sangue. Ele precisa das hemácias (glóbulos vermelhos) para ser transportado para os tecidos. Uma vez nos tecidos, as células usam o oxigênio para produzir energia. Este processo produz CO2, que é captado novamente pelas hemácias e levado em direção aos pulmões para se reiniciar o ciclo.
A falta de ar é um sintoma que surge quando o cérebro recebe a informação de que a quantidade de oxigênio nos tecidos está baixa e não é suficiente para a sobrevivência das células ou quando a quantidade de CO2 está alta.
A falta de ar verdadeira pode, então, acontecer por vários mecanismos:
– Quando o nível de oxigênio no ar está baixo.
– Quando algo obstrui nossas vias aéreas e não conseguimos respirar adequadamente.
– Quando o coração está fraco ou há alguma obstrução ao fluxo sanguíneo e não se consegue levar sangue oxigenado para os tecidos.
– Quando há algum problema no pulmão que impede a troca dos gases (gás carbônico e oxigênio).
– Quando o sangue não consegue transportar oxigênio adequadamente, como nos casos de anemia grave ou hemácias defeituosas.

Assim que o cérebro recebe a informação de há má oxigenação dos tecidos, a primeira providência é aumentar a frequência e intensidade da respiração. Em adultos a frequência respiratória média varia entre 12 a 20 incursões por minuto. Chamamos de taquipnéia quando a frequência está acima de 20.
Não conseguimos contar a nossa própria frequência respiratória, pois uma vez que tomamos consciência da nossa respiração, ela passa a ser diferente. Quando nós médicos contamos a frequência respiratória dos pacientes, o fazemos sem que o mesmo se aperceba do fato.
O aumento da frequência respiratória é um processo de adaptação que ocorre a todo momento.

Por exemplo, quando corremos precisamos gerar mais energia e por consequência, nossas células precisam de mais oxigênio. O que o cérebro faz? Aumenta a frequência respiratória e cardíaca. Mais oxigênio chega aos pulmões e mais sangue é transportado para os tecidos, resolvendo-se o problema.
Portanto, a primeira coisa que se faz frente a uma queixa de falta de ar, é contar a frequência respiratória. Não se espera que uma verdadeira falta de ar não venha acompanhado de aumento da frequência respiratória.
É importante salientar que uma pessoa com crise de pânico ou muito ansiosa pode perfeitamente estar respirando mais rápido pelo nervosismo, sem que isso indique falta de oxigenação real.
Quando a falta de ar começa a se intensificar, surgem alguns sinais de esforço respiratório. Um deles é o aumento e diminuição do diâmetro das narinas enquanto puxamos o ar. Este sinal é chamado de batimento de asa do nariz. Indica esforço para se puxar o ar.
Outros sinal de esforço é quando podemos notar a contração dos músculos do peito e da barriga enquanto se respira. O uso dos músculos acessórios da respiração é um sinal de desespero do organismo tentando aumentar de qualquer maneira o aporte de oxigênio para os pulmões.
Esse sinais podem ser vistos após exercícios extenuantes. Neste caso não há problemas pois após o repouso, em questão de minutos, a oxigenação adequada se restabelece.
Um sinal de gravidade da falta de ar é a presença de cianose, que é a tonalidade arroxeada dos dedos, lábios e nariz. Pessoas com problemas pulmonares crônicos apresentam um alargamento das pontas dos dedos, chamado de baqueteamento digital pelo fato dos dedos ficarem parecidos com baquetas de tambor.
A hemácia quando rica em oxigênio fica avermelhada, e quando pobre, arroxeada. Quando as hemácias possuem pouco oxigênio, podemos notar esse tom mais roxo na regiões mais finas da pele como nas fotos acima. É um sinal de grave falta de oxigenação dos tecidos.
Nem todo mundo com dispnéia precisa se apresentar com os sinais de gravidade descritos acima. Pode-se ter apenas falta de ar e o único sinal ser a taquipnéia. Para se saber então se a dispnéia indica alguma doença ou não, temos que avaliar qual o grau de oxigenação do sangue.
Isto pode ser feito através do oxímetro de pulso, que é aquele aparelhinho que se coloca nos dedos dos pacientes. A saturação normal de oxigênio é maior que 95%. Valores abaixo de 90% indicam insuficiência respiratória.
Se houver algum sinal clínico ou algo na história que aponte para uma causa de dispnéia, solicita-se uma gasometria arterial, uma análise onde se colhe sangue de uma artéria para se medir diretamente os níveis de oxigênio e CO2 do sangue.
Na gasometria identifica-se facilmente aqueles com falta de ar por ansiedade uma vez que o nível de oxigênio encontra-se bem alto e o de CO2 bem, baixo devido a rápida respiração, fato que não ocorre nas causas reais de dispneia.
CAUSAS DE FALTA DE AR
– Asma
– DPOC (bronquite crônica e enfisema pulmonar)
– Pneumonia
– Tuberculose
– Outras infecções pulmonares.
– Derrame pleural volumoso
– Edema pulmonar.
– Embolia pulmonar
– Hemorragia pulmonar.
– Câncer de pulmão
– Infarto do miocárdio
– Insuficiência cardíaca
– Arritmia cardíaca
– Hipertensão pulmonar.
– Aspiração de corpo estranho.
– Obesidade mórbida
– Traumas.
– Asbestose
– Defeitos ósseos na coluna ou tórax.
– Anemia
– Tamponamento cardíaco.
– Sepse
– Intoxicações.
– Anafilaxia
– Gravidez.
– Ansiedade.
– Rinite
– Sinusite
TRATAMENTO DA FALTA DE AR
O tratamento depende da causa. Se for devido a uma pneumonia, trata-se com antibióticos; Se for por insuficiência cardíaca, usa-se diuréticos; Se for anemia, trata-se com transfusão de sangue, e assim por diante.
Enquanto a causa da dispnéia não for resolvida, é importante assegurar que o paciente tenha sempre saturações de oxigênio adequadas para não entrar em colapso.
Quando há saturação de O2 está reduzida, o tratamento deve ser feito com oxigênio suplementar. Se mesmo com oxigênio em volumes altos o paciente ainda não for capaz de manter boas saturações, faz-se necessária a intubação e adaptação a um ventilador mecânico.
Alguns pacientes com doença pulmonar crônica, tipo enfisema, precisam de oxigênio suplementar com freqüência, e às vezes, passam mais de 12 horas por dia com O2 em máscara.

DICAS NATURAIS PARA O TRATAMENTO DA FALTA DE AR

O tratamento para falta de ar, pode ser feito tanto com remédios (quando prescritos pelo médico) ou também através da medicina alternativa. Logo mais abaixo, você confere algumas receitas úteis contra a dispneia, com ingredientes que podem ser encontrados aí mesmo na sua casa:
Beterraba (o mesmo procedimento pode ser feito com nabo)
1. Corte uma beterraba média em rodelas bem fininhas e coloque-as arrumadas em um recipiente com boca larga;
2. Coloque açúcar mascavo até que cubra totalmente a beterraba;
3. Deixe descansar por 10 horas;
4. Tome três colheres (sopa) cinco vezes ao dia e verá os resultados.
Agrião
1. Pegue 300g de mel de abelhas, 300 ml de água filtrada e 500g de agrião (com folhas e talos);
2. Coloque tudo em uma panela e leve ao fogo até que comece a levantar fervura;
3. Desligue o fogo, deixe esfriar e tome uma colher (sopa) quatro vezes ao dia.
Abacaxi
1. Corte 1 abacaxi em rodelas e coloque-as em uma panela;
2. Adicione 1 xícara (chá) de mel de abelhas e cozinhe em fogo baixo;
3. Espere esfriar e tome três colheres (sopa) cinco vezes ao dia.
Jabuticaba
1. Pegue uma quantidade média de jabuticabas e amasse-as;
2. Coloque em uma panela e ponha para cozinhar em água filtrada;
3. Espere esfriar e tome duas xícaras (chá) por dia.
Gengibre
1. Pegue 20g de raiz de gengibre e coloque em um recipiente para chá;
2. Adicione 1 litro de água fervente e deixe descansar;
3. Tome três xícaras (chá) ao dia.
FALTA DE AR NA GRAVIDEZ
A dispnéia é muito comum na gravidez. Até 2/3 das gestantes se queixam de falta de ar, fato que normalmente inicia-se no segundo trimestre. A dispneia da gestação costuma ser pior quando a grávida encontra-se sentada e não apresenta relação com esforço físico.
Alguns fatores contribuem para essa dispneia:
– Anemia que ocorre em toda gravidez.
– Elevação do diafragma pelo feto, principalmente no 3 trimestre
– Excesso de progesterona, que por si só causa aumento da frequência respiratória
Apesar de comum, é importante não confundir a dispneia normal da gestante com dispneia causada por doenças pulmonares ou cardíacas que podem muito bem ocorrer em quem está grávida. Um exame físico e uma boa história clínica costumam fazer essa distinção.

DICAS DE COMO RESPIRAR MELHOR E EVITAR CONGESTÃO NASAL

1. Para evitar a congestão nasal

A inalação é um dos métodos mais fáceis para deixar as vias respiratórias livres. Segundo Sergio Panizza, farmacêutico e especialista em fitoterapia, várias plantas aumentam a eficiência da inalação, atuam como antisséptico e estimulam o sistema imunológico. É o caso do eucalipto, para descongestionar, e da hera-terrestre, para a sinusite. O especialista, porém, alerta: mulheres grávidas ou que estejam amamentando e pessoas menores de 12 anos não devem usá-las.

E vale lembrar: evite aproximar demais o rosto da água e não segure o recipiente com as mãos, pois está quente. Ao terminar a inalação, dê um tempo antes de se expor ao frio. Evite abrir a geladeira, tomar vento e ingerir gelados para prevenir choque térmico.

Vapor com eucalipto
Em uma tigela refratária, coloque 1 xícara (chá) de água fervente para cada 2 colheres (sobremesa) de folhas secas. Cubra a cabeça e os ombros com uma toalha e inale o vapor por 5 a 10 minutos. Repita três vezes ao dia.

Vapor com hera-terrestre
Para 1 litro de água fervente, use 3 colheres (sobremesa) de folhas secas. Inale por 10 minutos e repita a operação até duas vezes ao dia.

2. Para desentupir o nariz

Essa técnica é bem rápida e prática, e pode ser feita em qualquer lugar (até no carro, se estiver parada no trânsito), segundo a acupunturista Mônica Louvison. Mas, para funcionar, é fundamental pressionar bem a área massageada. Vá nos pontos certos: coloque o dedo indicador, um em cada lado das narinas. Pressione e segure durante uns três segundos. Depois, com a ponta de todos os dedos, exceto o polegar, massageie como se estivesse dedilhando, até chegar junto à “campainha” de cada orelha. Repita de três a quatro vezes. Faça o ciclo completo apenas uma vez ao dia para a região não ficar dolorida. “Quem tem sinusite ou rinite pode sentir um pouco de desconforto, mas vale a pena porque os movimentos provocam drenagem nos seios da face e trazem grande alívio”, diz a especialista.

Fazer inalação apenas com soro fisiológico é uma boa ideia pois ela ajuda a umidificar as vias aéreas e a fluidificar as secreções, desobstruindo as vias respiratórias, facilitando assim a respiração. Para fazer a nebulização em casa, deve-se colocar no copinho do nebulizador de 5 a 10 ml de soro fisiológico, posicionar a máscara próxima ao nariz e, então, respirar aquele ar. Deve-se manter os olhos fechados e estar sentado ou recostado em uma cama confortavelmente.

3. Para purificar o ar do ambiente

No inverno, nossa casa permanece mais tempo fechada, acumulando ácaros nos cobertores, tapetes e cortinas, além de pelos de animais e outros poluidores. Para respirar melhor, faça um spray ambiental: pingue cerca de 20 gotas de óleo essencial de eucalipto em 100 ml de álcool de cereais e mantenha em um pulverizador, borrifando no ar de vez em quando. Você encontra esses itens em lojas de produtos naturais. O conselho é do fitoterapeuta Sergio Panizza, que indica também o uso de óleos essenciais no carro, como o de hortelã-pimenta: pingue 4 a 5 gotas em uma argola de cartolina ou outro difusor e alivie suas vias respiratórias. “É fundamental usar óleos puros e de qualidade”, reforça o especialista.

Fonte: Dispneia

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