HEMORRÓIDA – Sintomas, causas e tratamento

12 abr 2017 | By

O que são hemorróidas?

HemorróidaHemorroidas são uma das causas mais comuns de sangramento nas fezes. Em casos mais graves, pode até provocar anemia.
A porção terminal do intestino é composta pelo reto, pelo canal anal. Como em qualquer outra parte do nosso corpo, esta região final do trato digestivo é vascularizada por artérias e veias, que recebem o nome de artérias e veias hemorroidárias, respectivamente.

Hemorroida é o nome dado a este conjunto de vasos que fica na região do canal anal. O que é popularmente conhecido como hemorroida é, na verdade, chamado em medicina de doença hemorroidária.
A maioria das nossas veias contém válvulas que ajudam o sangue a seguir sempre em uma mesma direção, impedindo seu retorno, mesmo quando contra a gravidade. Por exemplo, o sangue nas veias da perna corre sempre contra a gravidade. Graças às válvulas, ele consegue subir sem ficar represado nas pernas. Quando as veias ficam doentes e as suas válvulas param de funcionar, surgem as varizes, veias tortuosas onde o sangue fica congestionado.
Ao contrário das veias do resto do corpo, as veias hemorroidárias não possuem válvulas para impedir o represamento de sangue. Portanto, qualquer aumento da pressão nessas veias propicia o seu ingurgitamento. As hemorroidas são como varizes das veias hemorroidárias. Assim como em qualquer variz, o sangue represado aumenta o risco de trombose e inflamações das veias.
Portanto, hemorroidas (ou doença hemorroidária) são dilatações das veias do reto e ânus, Cerca de 5% da população sofre com esse problema.

As hemorróidas são vasos sanguíneos de dimensões aumentadas, salientes, situados na parte distal do recto e ânus.A doença hemorroidária pode ser divida em:

– Hemorroidas internas: quando ocorrem no reto.
– Hemorroidas externas: quando ocorrem no ânus ou no final do canal anal.

Hemorróidas internas: Desenvolvem-se dentro do ânus, onde habitualmente permanecem, pelo que nas fases iniciais o doente não as vê nem sente. São caracterizadas por perdas de sangue vivo e/ou exteriorização (prolapso) durante a defecação, este último numa fase já mais avançada. Se totalmente prolapsadas, sem possibilidade de re-introdução no canal anal, podem provocar dor forte.
são ainda classificadas em quatro graus:
– Grau I: não prolapsam através do ânus.
– Grau II: prolapsam através do ânus durante a evacuação, mas o retornam à sua posição original espontaneamente.
– Grau III: prolapsam através do ânus e só retornam para dentro com ajuda manual.
– Grau IV: estão prolapsadas através do ânus e o retorno não é possível nem com ajuda manual.
As hemorroidas internas grau I não são visíveis e as grau II normalmente passam despercebidas pelos pacientes, já que ninguém fica olhando para o ânus enquanto defeca. Como o reto e o canal anal possuem pouca inervação, este tipo de hemorroida não costuma causar dor.
Hemorróidas externas: Aparecem à volta do orifício anal, sendo revestidas por pele muito sensível. A ocorrência de um coágulo sanguíneo no seu interior (trombo) irá provocar um «inchaço» local muito doloroso, traduzido por um nódulo duro, azulado, muito incomodativo pelo prurido e inflamação que o acompanha. Só sangrarão no caso da sua ruptura.As hemorroidas externas, assim como as internas grau III e IV, são facilmente identificadas e costumam inflamar, causando dor e/ou prurido (comichão).

O que causa as hemorróidas?
São muitas as causas, não se conhecendo com exatidão . Têm sido apontados como fatores favorecedores a idade, a obstipação, o esforço para defecar, a gravidez, o tempo prolongado na sanita, a diarreia, a posição sentada por longos períodos e outros. Sabe-se que existe um estiramento dos tecidos que suportam os vasos sanguíneos, pelo que estes se dilatam. As suas paredes tornam-se finas e ocorre o sangramento. Se a pressão ou o esforço para defecar continua, verifica-se a sua protusão (prolapso).
A doença hemorroidária é um distúrbio muito comum. Estima-se que mais da metade da população acima dos 50 anos sofra deste problema em graus variáveis.

Os principais fatores de risco são:

– Constipação intestinal (prisão de ventre)
– Esforço para evacuar.
– Obesidade
– Diarreia crônica
– Prender as fezes com frequência, evitando defecar sempre que há vontade.
– Dieta pobre em fibras.
– Gravidez.
– Sexo anal.
– História familiar de hemorroidas.
– Tabagismo
– Cirrose e hipertensão portal
– Ficar longos períodos sentados no vaso sanitário (há quem ache que o próprio design dos vasos propicie o surgimento da doença hemorroidária).
O hábito de evacuar agachado, muito comum no Oriente Médio e Ásia, está associado a uma menor incidência de hemorroidas. Por outro lado, evacuar sentado, como a maioria de nós habitualmente faz, parece aumentar a sua incidência.
Independente dos fatores de risco, as hemorroidas se formam quando há aumento da pressão nas veias hemorroidárias ou fraqueza nos tecidos da parede do ânus, responsáveis pela sustentação das mesmas.

Quais os sintomas das hemorróidas?
Os sintomas podem ser variados: perdas de sangue vermelho-vivo durante as dejecções, prolapso durante as dejecções, comichão na região anal, dor, nódulo sensível.
As hemorroidas podem ser sintomáticas ou não. Como já dito anteriormente, as hemorroidas internas tendem a ser menos sintomáticas. O único sinal indicativo da sua existência costuma ser a presença de sangue ao redor das fezes ao evacuar.
O sangramento das hemorroidas se apresenta tipicamente como uma pequena quantidade de sangue vivo que fica ao redor das fezes. Às vezes, o paciente pode notar pingos de sangue no vaso sanitário após o término da evacuação. É comum também haver sangue no papel higiênico após a limpeza.
As hemorroidas internas podem causar dor se surgir uma trombose ou quando o esforço crônico para evacuar causa o prolapso da hemorroida para fora no canal anal. As hemorroidas internas grau III e IV podem estar associadas à incontinência fecal e à presença de um corrimento mucoso, que provoca irritação e comichão anal.
As hemorroidas externas são, por via de regra, sintomáticas. Estão associadas a sangramentos e dor ao evacuar e ao sentar. Em casos de trombose, a dor pode ser intensa. O prurido é outro sintoma comum. As hemorroidas externas são sempre visíveis e palpáveis.
Apesar de ser uma causa comum de hemorragia anal, é importante nunca assumir que o sangramento é devido à doença hemorroidária sem antes consultar um médico. Várias doenças, como fissura anal, câncer do reto, doença diverticular e infecções também podem se manifestar com sangue nas fezes . Além disso, nada impede que o paciente tenha hemorroidas e outra doença que também curse com sangramento anal, como um câncer, por exemplo. Portanto, todo sangramento anal deve ser avaliado por um médico, de preferência proctologista.
O sangramento das hemorroidas costuma ser de pequena quantidade, mas, ser for frequente, pode até levar à anemia . Sangramentos de grande volumes não são comuns, mas podem ocorrer em alguns casos.
Um diagnóstico diferencial importante das hemorroidas é a fissura anal. Ambas causam dor e sangramento, porém, o sangramento da fissura costuma ser menor e a dor ao evacuar mais intensa.
HEMORROIDAS NÃO VIRAM CÂNCER! Entretanto, os sintomas podem ser parecidos com os tumores intestinais, principalmente nos cânceres do reto e ânus. Por isso, é importante estabelecer o diagnóstico diferencial, especialmente em pacientes maiores de 50 anos. Reforçando a recomendação: todo sangramento anal deve ser avaliado por um médico.

Quando ir ao médico?
Geralmente os sintomas desaparecem em poucos dias, havendo situações, contudo, que podem significar um problema bem mais grave. Embora não exista uma relação entre hemorróidas e cancro, ocorrem sintomas semelhantes, pelo que os atribuídos à doença hemorroidária, especialmente a hemorragia, devem ser investigados por um médico especializado no tratamento das doenças do foro coloproctológico. Não se automedique nem aceite medicações sem fazer os exames indispensáveis. Procure um Coloproctologista para que o diagnóstico e o tratamento seja corretamente efetuado.
Nas hemorroidas externas o exame físico é suficiente para o diagnóstico. Nas internas é preciso realizar o toque retal e, caso ainda haja dúvida, a anuscopia (uma mini endoscopia onde se visualiza o reto por vídeo).
Em doentes idosos com sangramento pelo reto, mesmo que se identifique doença hemorroidária, é conveniente realizar a colonoscopia para se descartar outras causas. Como as hemorroidas são muito comuns nesta faixa etária, nada impede que o paciente tenha uma segunda causa para o sangramento, como um câncer do intestino ou um divertículo .

Como tratar as hemorróidas?
Os sintomas ligeiros podem ser aliviados de uma forma simples pela mudança dos hábitos alimentares, aumentando a quantidade de fibras (frutos, vegetais, cereais) e líquidos na dieta, o que eliminará o esforço defecatório excessivo. Em caso de dor, faça um banho de assento em água quente por 10 minutos, o que aliviará a inflamação.
No caso das hemorróidas externas, estas medidas, associadas eventualmente a medicação oral e aplicação de tópicos locais, serão suficientes, desaparecendo a dor e o inchaço em poucos dias. Nalguns casos de trombose hemorroidária, com dor persistente, muito forte, poderá ser necessário proceder-se a uma intervenção cirúrgica para extração do coágulo sanguíneo. Será realizada em ambulatório, sob anestesia local.
No caso das hemorróidas internas com sintomas mais marcados, poderão estar indicados outros tratamentos, que irão da escleroterapia ou da laqueação hemorroidária, efetuados em ambulatório, à cirurgia, que passará pela hemorroidectomia clássica ou, o habitualmente hoje realizado, a hemorroidopexia mecânica.
Exercício físico
Quem sofre de hemorroidas deve evitar a vida sedentária, realizando exercício físico de forma frequente, especialmente atividades cardiovasculares que ajudem a melhorar o trânsito intestinal e a saúde no geral. Caminhar no mínimo 15 minutos depois das refeições principais é bastante recomendável para os pacientes com esta condição. No entanto, é importante saber que deve evitar o exercício intenso e a realização de atividades que necessitem de esforço físico, assim como também não será apropriado levantar peso em excesso.
Para continuar exercitando o seu corpo sem piorar esta incômoda condição.
Banho de assento
Quando a dor está presente, recomenda-se realizar um banho de assento com água fria uma vez por dia e depois realizar mais dois banhos de assento com água quente a uma temperatura que não queime ou incomode. Intercalar o frio e o calor ajudará a reduzir a inflamação e a dor originada pelas hemorroidas.
O que deve evitar
É importante evitar ao máximo qualquer alimento irritante que possa aumentar os sintomas e incômodos, por isso é recomendável retirar da sua dieta:
A cafeína, o chá, os refrescos e bebidas energéticas.
O picante e as especiarias muito fortes, como o curry .
O álcool.
O chocolate.
Os condimentos como o alho, a cebola ou a mostarda, que também podem ser irritantes.
Também é importante que evite passar demasiadas horas na mesma posição, seja de pé ou sentado. Caso a sua profissão o obrigue a passar a maior parte do dia em uma destas situações, deverá procurar – na medida do possível – sentar-se ou se levantar de vez em quando para minimizar a dor. No caso de quem passa parte do dia sentado, pode ser útil usar algum travesseiro ortopédico que reduza a pressão na zona perineal.
Para além disso, deverá evitar usar peças de roupa excessivamente justas e, ao invés disso optar por outras mais folgadas que não apertem a zona anal. Do mesmo modo, será apropriado usar roupa interior feita de materiais e tecidos naturais como o algodão, para permitir a transpiração e evitar a acumulação de umidade.
Também outros remédios naturais desta forma, poderá ser benéfico aplicar aloe vera, infusão de camomila ou outras ervas medicinais que ajudarão a reduzir a inflamação da zona anal.
O tratamento da doença hemorroidária pode ser dividido entre tratamento conservador, que é feito à base de pomadas, remédios, dieta e banhos de assento, ou tratamento cirúrgico, que pode ser feito no próprio consultório ou em centro cirúrgico apropriado. Na maioria dos casos de hemorroidas externas e de hemorroidas internas grau 1 ou 2, o tratamento é feito inicialmente de forma conservadora, sem a necessidade de cirurgia.

Vamos revisar a seguir as principais opções de tratamento para hemorroidas.

1. Tratamento conservador – Remédios e pomadas para hemorroidas

Durante as crises, os banhos de assento com água morna, duas a três vezes por dia, podem trazer alívio para os sintomas agudos. Nas grávidas sugerimos compressas úmidas mornas. Deve-se também evitar limpar o ânus com papel higiênico, dando preferência ao bidê ou a jatos de aguá morna.

Nas pessoas com constipação intestinal, laxantes então indicados para diminuir a necessidade de fazer força ao evacuar. A passagem de fezes muito volumosas e endurecidas pode causar lesão nas hemorroidas. Beber bastante água é importante, pois ajuda a umedecer as fezes, diminuindo a constipação.

O aumento do consumo de fibras comprovadamente melhora os sintomas. Os resultados podem ser notados com apenas 15 dias de mudança da dieta. O uso de suplementos à base de metilcelulose ou psyllium apresenta bons resultados. Atenção, o uso de fibras não trata a doença hemorroidária, mas ajuda no controle dos sintomas, principalmente a coceira e o sangramento.

Pomadas e cremes, como o Proctyl, Proctosan ou Xyloproct, podem ser usados temporariamente, já que servem de lubrificante para a passagem das fezes e contêm anestésicos em sua fórmula. Algumas pomadas, como Ultraproct, também contêm corticoides, o que ajuda a “secar” a hemorroida e a diminuir a inflamação. Contudo, pomadas que contenham corticoides não devem ser usadas por mais de 7 dias seguidos, pois eles podem causar atrofia da mucosa anal, favorecendo o aparecimento de novas feridas. O alívio com cremes ou pomadas é apenas temporário e não deve ser usado sem orientação médica.

Supositórios com corticoides (o Ultraproct também existe em forma de supositório) são outra opção quando há muita dor ou comichão, porém, é um tratamento que não deve ser usado por mais de uma semana devido aos seus possíveis efeitos colaterais

Dos remédios para hemorroidas em comprimidos, aquele que parece ter melhor efeito é o Daflon. Ainda assim, ele apenas melhora os sintomas, não trata definitivamente a doença. Outros remédios, como o Varicell, não apresentam eficácia comprovada.
Evitar alimentos picantes é uma dica muito famosa para quem tem hemorroidas, todavia, não há provas de que a pimenta realmente piore os sintomas. Isto deve ser avaliado individualmente. Há pacientes com hemorroidas que comem pimenta à vontade e não sentem nenhuma piora, enquanto outros juram que um pouquinho de pimenta é suficiente para “irritar” suas hemorroidas.
Em geral, os pacientes procuram muito a ajuda de pomadas, quando, na verdade, o banho de assento e a mudança da dieta costumam ter eficácia semelhante por um custo muito menor e com menos riscos de efeitos colaterais.

3. Tratamento cirúrgico para hemorroidas
Caso os sintomas da doença hemorroidária persistam, apesar das medidas conservadoras ou minimamente invasivas, a intervenção cirúrgica deve ser indicada. Além dos casos de falha das técnicas mais simples, a cirurgia também está indicada nos pacientes com hemorroidas grau IV ou naqueles que têm hemorroidas internas estranguladas. A cirurgia também pode ser necessária para as hemorroidas grau III sintomáticas ou para os pacientes que se apresentam com hemorroidas trombosadas.

Hemorroidectomia
A cirurgia tradicional para remoção da hemorroida é chamada de hemorroidectomia. Existem duas técnicas populares:
1. Milligan Morgan ou Ferguson, que é uma cirurgia feita sob anestesia peridural, que remove todo o tecido ao redor da região com doença hemorroidária;
2. Técnica de Longo, que usa um dispositivo para realizar o grampeamento das hemorroidas.
A técnica de Longo é mais moderna e costuma ser mais tolerada pelo paciente, pois seu pós-operatório é bem menos doloroso.

a) Ligadura elástica
Em casos mais graves, que não conseguem ser controlados com medidas simples, pode ser necessária a laqueação elástica da hemorroida. Através da anuscopia, uma borracha é introduzida na base das hemorroidas, causando estrangulamento e necrose das mesmas. Depois de alguns dias, geralmente entre dois a quatro, a hemorroida “cai”, saindo sozinha pelo ânus junto com o elástico. É uma técnica que pode ser feita no próprio consultório do proctologista. Costuma ser indolor e muitas vezes não se usa nem anestesia. A ligadura elástica está indicada para hemorroidas de grau I e II. Eventualmente, ela pode ser usada em algumas hemorroidas grau III. É a técnica mais usada atualmente e apresenta uma taxa de sucesso de 80%.
A ligadura elástica não é uma opção para hemorroidas externas, pois, neste caso especificamente, o tratamento causa intensa dor.

b) Escleroterapia
Outra opção para o tratamento das hemorroidas é a escleroterapia. Esta técnica consiste na injeção, através de uma agulha longa, de uma solução química que causa necrose das hemorroidas. A substância injetada causa intensa inflamação e faz com que a hemorroida “seque” e seja absorvida.
A escleroterapia também é feita com o auxílio da anuscopia e não necessita de anestesia, pois é indolor.

c) Coagulação infravermelha
Uma terceira opção é a coagulação por infravermelho, também chamada, equivocadamente, de coagulação à laser. Assim como as técnicas anteriores, a coagulação por infravermelho é realizada com o auxílio da anuscopia e consiste na aplicação direta de ondas de infravermelho nas hemorroidas. O calor gerados por essas ondas queimam a lesão e provocam retração das hemorroidas.

MD Saude

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