Salve vidas, torne-se um doador, é simples

24 mar 2017 | By

Doação de Órgãos

Apesar de ter um dos mais bem estruturados sistemas de transplantes do país, com 54 equipes médicas, uma central e seis unidades de procura de órgãos, o Estado poderia realizar o dobro de transplantes se não ocorressem falhas na identificação de doadores – por omissão médica ou por negativa de familiares nos casos em que a pessoa não declarou em vida o consentimento com a doação de seus órgãos para transplantes.
A doação efetivamente será realizada a partir da autorização por escrito de um familiar do doador. Por isso, é fundamental conversar sobre o assunto em família para que todos saibam da posição de cada um a esse respeito.
Legislação
A Lei 9.434, de 04 de fevereiro de 1997, que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante, foi alterada pela Lei nº. 10.211, de 23 de março de 2001, que substituiu a doação presumida pelo consentimento informado do desejo de doar.
Quem pode doar, Pulmão, pâncreas, ossículos do ouvido, coração, válvulas cardíacas, córneas, medula óssea, fígado, rins, tendões e meninge, ossos, músculos e pele.

Há dois tipos de doador:

Doador vivo
São pessoas saudáveis que decidem doar um dos rins, parte do fígado ou do pulmão, medula óssea. A Legislação permite esse tipo de doação por parentes até 4º grau e cônjuges. Não parentes podem doar somente com autorização judicial.

Doador com morte encefálica ou parada cardíaca
Certificada a morte encefálica de um potencial doador, cabe aos familiares até segundo grau ou cônjuge decidir sobre a doação dos órgãos – o que tem o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar (médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos).

Quem não pode doar
A doação é vetada para doadores com algum tipo de câncer e HIV. Portadores de marcas dos vírus de hepatite B e C só podem doar para receptores com o mesmo tipo de vírus, inativo. Leucemia ou linfomas impede a doação de córneas, mas não há restrição nos demais casos de câncer – mesmo com metástase. O alcoolismo inviabiliza somente a doação do fígado.

O que é necessário para doar órgãos e/ou tecidos?
Não é necessário registro em qualquer documento ou em cartório, nem mesmo em testamento. Basta apenas informar seu desejo aos seus familiares. A Lei federal de 1997 (Lei no 9.434) mudou em 2001 (Lei no 10.211) e, desde então, o que consta na Carteira de Habilitação ou de Identidade perdeu valor, prevalecendo a vontade da família.

Como minha família saberá sobre a possibilidade da doação de órgãos e/ou tecidos?
No momento oportuno, logo após a declaração da sua morte, a sua família será informada quanto à possibilidade de doação de seus órgãos e/ou tecidos. Caso concordem, os familiares serão convidados a assinar os documentos necessários. Para quem é maior de 18 anos, é necessária a assinatura de esposo(a) ou parente até 2º grau (pai/mãe, filho(a), avô(ó), neto(a), irmão(ã)) e a presença de pelo menos um desses parentes para autorizar a doação. Caso contrário, será necessária uma autorização judicial. Caso o(a) falecido(a) tenha menos de 18 anos, é necessária a assinatura da mãe e do pai ou do responsável legal pelo menor. Na ausência de um deles, somente com autorização judicial.

O que acontecerá depois que eu autorizar a doação dos órgãos do meu familiar?
Será providenciada a coleta de sangue para a realização de exames idênticos aos de doação de sangue, incluindo HIV, Hepatite B e C, HTLV-I/II, Sífilis, Doença de Chagas, Citomegalovirus, Toxoplasmose, entre outros, equivalendo a cerca de 40-50ml de sangue. Cerca de 4 a 6 horas depois, inicia-se a cirurgia de retirada dos órgãos e/ou tecidos, que tem duração variável. Após a cirurgia, a equipe médica recompõe o corpo do doador, que terá apenas os pontos no local operado, não impedindo a realização de um velório habitual. Todos os procedimentos envolvidos neste processo são realizados gratuitamente por equipes especialmente treinadas. Caso a morte tenha decorrido de causa não natural, o corpo segue para o IML e é submetido a uma necropsia.

E se a pessoa morrer em casa e a família desejar doar os órgãos/tecidos?
Neste caso, apenas as córneas poderão ser doadas. É muito importante que seja providenciada o mais rápido possível a declaração de óbito em casos de morte de causa natural e, em seguida, que o óbito seja imediatamente comunicado ao Programa Estadual de Transplantes, pois a doação só é possível se for realizada em até 6 seis horas após a parada do coração. Um profissional do Banco de Olhos irá até o falecido para providenciar a autorização por escrito. Em seguida, será providenciada a coleta de sangue para realização de exames e, após a obtenção dos resultados, finalmente ocorre a retirada das córneas. Posteriormente, o corpo é submetido à reconstituição. Quanto à retirada dos outros tecidos e órgãos, por se tratar de um procedimento mais complexo, não é possível a sua realização fora do hospital. Caso a morte tenha decorrido de causa não natural, o corpo deverá ir para o IML para ser submetido à necropsia.

O que pode ser doado após a morte?
Há duas situações de morte: a morte encefálica, que é a morte do encéfalo (cérebro+tronco encefálico) e a morte por coração parado.Na morte encefálica, os órgãos que podem ser doados são: o coração, os dois pulmões, o fígado, os dois rins, o pâncreas e o intestino. Os tecidos como córneas, ossos, pele e válvulas cardíacas também podem ser doados nesta situação.Já na morte por coração parado, somente os tecidos (córneas, ossos, pele e válvulas cardíacas) podem ser doados. No Brasil, não é permitido o transplante de nenhum outro órgão, como por exemplo: pênis, útero, mão e outras partes do corpo humano.

Como fica o corpo da pessoa que doa?
No transplante de córnea, o profissional coloca uma prótese redonda no globo ocular e usa uma cola apropriada para o(a) paciente permanecer com o mesmo aspecto. Não ocorre qualquer deformidade após a doação. No transplante de ossos, retiram-se principalmente ossos do braço (úmero) e da coxa (fêmur). Em seguida, a equipe de ortopedia coloca uma prótese de PVC no local. São refeitas as juntas do joelho, do quadril, do ombro e do cotovelo.Após a retirada dos órgãos e tecidos, a equipe médica recompõe o corpo do doador, que terá apenas os pontos no local operado, não impedindo a realização de um velório habitual. No transplante de pele é retirada somente uma fina porção da pele do dorso das costas e das coxas, sem alterações na aparência de quem faleceu.

Que órgãos/tecidos podem ser doados em vida?
Órgãos que podem ser doados: parte de um dos pulmões, parte do fígado, um dos rins. Tecidos que podem ser doados: ossos, medula óssea, cordão umbilical, sangue e esperma.
Doação entre pessoas vivas são autorizadas somente para cônjuge ou parentes até 4º grau (pais, irmãos, netos, avós, tios, sobrinhos e primos). Para pessoas com grau de parentesco mais distante ou sem relação consanguínea, as doações devem ser feitas com autorização judicial.

O que é Célula -Tronco?

As células-tronco surgem no ser humano, ainda na fase embrionária, previamente ao nascimento. Após o nascimento, alguns órgãos ainda mantêm dentro de si uma pequena porção de células-tronco, que são responsáveis pela renovação constante desse órgão específico.

Essas células têm três características distintas:

Conseguem se auto-reproduzir, duplicando-se, gerando duas células com iguais características.
Conseguem diferenciar-se, dando origem a diversas outras células de seus respectivos tecidos e órgãos.
Conseguem diferenciar-se, transformando-se em diversas células de outros tecidos da mesma origem evolutiva.

Um exemplo é a célula-tronco hematopoética, que se localiza na medula óssea e é responsável pela geração de todo o sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). Esta é a célula que efetivamente substituímos quando realizamos um transplante de medula óssea. As células-tronco da medula podem podem ser coletadas, preservadas por congelamento e, posteriormente, descongeladas e utilizadas no tratamento.
O transplante de medula óssea é uma modalidade de tratamento indicada para doenças relacionadas com a fabricação de células do sangue e com deficiências no sistema imunológico. Os principais beneficiados com o transplante são pacientes com leucemias originárias das células da medula óssea, linfomas, doenças originadas do sistema imune em geral, dos gânglios e do baço, e anemias graves (adquiridas ou congênitas).
Outras doenças, não tão frequentes, também podem ser tratadas com transplante de medula, como as mielodisplasias, doenças do metabolismo, autoimunes e vários tipos de tumores. O transplante de medula óssea pode ser indicado para o tratamento de um conjunto de cerca de 80 doenças.O Transplante de medula óssea é um procedimento rápido, como uma transfusão de sangue, que dura em média 2 horas. Essa nova medula é rica em células chamadas progenitoras, que uma vez na corrente sanguínea, circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem.
O paciente, depois de se submeter a um tratamento que destruirá a sua própria medula, receberá as células da medula sadia de um doador. Estas células, após serem coletadas do doador são acondicionadas em uma bolsa de criopreservação de medula óssea, congeladas e transportadas em condições especiais (maleta térmica controlada com termômetro, em temperatura entre 4 Cº e 20 Cº) até o local onde acontecerá o transplante.
As células infundidas no paciente também podem ser da sua própria medula, retiradas antes do tratamento e congeladas para uso posterior (no caso do transplante autólogo), ou de sangue de cordão umbilical (em caso de doação aparentada ou utilização de uma unidade de células dos Bancos Públicos de Sangue de Cordão).
Durante o período em que estas células ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorragias. Por isso, permanece internado no hospital, em regime de isolamento.
O transplante de medula óssea pode beneficiar o tratamento de cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias. O fator que mais dificulta a realização do procedimento é a falta de doador compatível, já que as chances de o paciente encontrar um doador compatível são de 1 em cada 100 mil pessoas, em média.
Além disso, o doador ideal (irmão compatível) só está disponível em cerca de 25% das famílias brasileiras – para 75% dos pacientes é necessário identificar um doador alternativo a partir dos registros de doadores voluntários, bancos públicos de sangue de cordão umbilical ou familiares parcialmente compatíveis (haploidênticos).

Para se cadastrar como doador de Medula óssea no REDOME. O voluntário pode ser chamado para efetuar a doação com até 60 anos de idade. Para se inscrever vá até o hemocentro de sua cidade, no procedimento voce fará sua ficha cadastral e será encaminhado a retirar 10 ml de sangue o qual será armazenado no banco de doadores de todo seu país.

Hoje, a única terapia aprovada pela ANVISA e/ou pelas sociedades médicas é de transplante com células-tronco para as doenças hematológicas graves. Não existe indicação técnica amplamente empregada no mundo inteiro para outros tipos de tratamento com células-tronco.

Transplante de Órgãos

O que é?

O transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão (coração, pulmão, rim, pâncreas, fígado) ou tecido (medula óssea, ossos, córneas) de uma pessoa doente (receptor), por outro órgão ou tecido normal de um doador vivo ou morto.

Como é a Lei de Transplantes?
A legislação em vigor determina que a família será a responsável pela decisão final, não tendo mais valor a informação de doador ou não doador de órgãos, registrada no documento de identidade.

Por que transplantar um órgão ou tecido? Quem precisa de um transplante?
Principais Indicações
CORAÇÃO     Portadores de doenças graves no coração, com alteração na sua forma e força.
PULMÃO     Portadores de doenças pulmonares crônicas avançadas, em geral por fibrose, enfisema ou por hipertensão pulmonar.
FÍGADO     Portadores de cirrose hepática por hepatite, álcool ou outras causas e portadores de alguns tumores no fígado.
RIM     Portadores de insuficiência renal crônica já com indicação de algum tipo de diálise, independentemente de estar ou não fazendo o tratamento.
PÂNCREAS     Diabéticos que tomam insulina e necessitam dela para sobreviver (Diabetes Mellitus tipo I), em geral, quando estão com doença renal associada.
INTESTINO     Portadores da Síndrome do Intestino Curto ou de síndromes graves de má absorção englobam uma série de distúrbios gastro-intestinais e sistêmicos.
CÓRNEAS     Portadores de doenças específicas na córnea, agudas ou crônicas. Doenças no olho que não sejam na córnea não tem indicação de transplante.
MEDULA ÓSSEA     Portadores de alguns tipos de leucemia e de linfoma, aplasia de medula e algumas outras doenças hematológicas e auto-imunes.
OSSO     Pacientes com perda óssea por certos tumores ósseos ou trauma.
PELE     Pacientes com grandes queimaduras.

Quem pode e quem não pode ser doador?
A princípio, qualquer pessoa pode ser doadora de órgãos e tecidos. Constatado o falecimento, uma avaliação clínica cuidadosa definirá quais órgãos e tecidos estão viáveis para transplante. Lembrando que história previa de hepatite não impede a doação de órgãos e que uma equipe médica irá avaliar cada caso.
Indivíduos sem identificação e aqueles que não possuam documento oficial de Identidade com foto não podem ser doadores. Pessoas sem parente maior de 18 anos que possam assinar o Termo de Autorização Familiar não podem ser doadores.

Quem recebe os órgãos e tecidos? Para onde vão os órgãos doados?
Um único doador pode beneficiar vários receptores, selecionados a partir de uma lista única nacional. Os receptores são separados por órgãos, tipos sanguíneos e outras especificações técnicas. Esta lista única apresenta uma ordem cronológica de inscrição, sendo os receptores selecionados nessa ordem, em função da gravidade ou compatibilidade sanguínea e genética com o doador. A existência desta lista única assegura a seriedade e a transparência de todo o processo. Por questões éticas, não é possível que a família do doador saiba para quem foi o órgão, já que há inúmeros casos de problemas sociais graves relacionados a isso. O transplante nem sempre será bem-sucedido e algum órgão pode ser descartado por apresentar algum problema que traga riscos a quem irá recebê-lo.

Posso doar um órgão para um parente (ou conhecido) na fila ou se alguém da fila me solicitar?
As doações após a morte são direcionadas pelo Programa Estadual de Transplantes do Rio de Janeiro somente para as pessoas inscritas na lista única, seguindo estritamente os critérios de ordem cronológica de inscrição, gravidade do caso e compatibilidade genética, não podendo a família escolher para quem doar. Há um caráter de solidariedade do ato. Cada doação realizada contribui para o andamento da lista. Por outro lado, existe a possibilidade de doação de rim e parte do fígado em vida, de acordo com a avaliação do médico que atende à família, para cônjuge ou parente de até 4º grau (pais, filhos, avós, irmãos, netos, tios e primos). Para outras pessoas, nesse caso, dependendo de autorização judicial.

O que é morte cerebral/encefálica?
O termo correto é morte encefálica ou morte de todo o encéfalo. O encéfalo inclui o cérebro e o tronco cerebral. É responsável pelas funções essenciais do organismo como o controle da pressão, da temperatura e da respiração, entre outras. Após algumas agressões neurológicas, as células do cérebro podem morrer e deixarm de cumprir essas funções, quadro que é irreversível. O coração continua batendo sozinho por causa do seu marcapasso interno ? que é temporário ?, e os aparelhos e remédios podem manter a respiração e a pressão, mas por um espaço curto de tempo.
A morte do encéfalo não é a mesma coisa que o coma. No coma, o paciente está desacordado e vivo tendo o comando das funções básicas de manutenção da vida. Para esta diferenciação são feitos dois exames bem completos, por dois médicos diferentes, sendo pelo menos um deles um neurologista. Há um intervalo de tempo mínimo a ser esperado entre um exame e outro, dependendo da idade. Nenhum desses médicos pode pertencer à equipe de transplante. Além disso, é realizado um exame complementar para ter certeza de que as células do cérebro não funcionam mais, não deixando dúvidas sobre a morte.
Quando é constatada a morte encefálica, significa que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante. A notificação da morte encefálica para o Programa Estadual de Transplantes do Rio de Janeiro é obrigatória por lei, mesmo quando a família não quer a doação. Nesse caso, os aparelhos serão desligados já que o indivíduo está legalmente e medicamente morto.

Onde posso me inscrever para transplante?
Você pode ver os endereços e telefones das Instituições credenciadas para acompanhamento médico de receptores de órgãos e/ou tecidos estão no tópico.
Se os médicos souberem que podem doar meus órgãos, não vão deixar de cuidar de mim enquanto paciente?
Não. A prioridade é sempre salvar a vida do(a) paciente. A doação de órgãos só ocorrerá após a constatação da morte do indivíduo. É importante ressaltar ainda que a doação de órgãos só ocorre após a constatação da morte encefálica, adicionada à autorização familiar em documentação formal.

Pessoas ricas têm mais chances de serem transplantadas?
Não, os ricos não são beneficiados. Existem critérios de seleção dependendo do órgão, numa lista única em todo o país, que leva em conta, por exemplo, a gravidade, o tempo de espera, a compatibilidade do tipo de sangue, etc.

Se eu tive hepatite (ou alguma outra doença), não poderei doar?
Não há limites de idade ou de doença específica. Até mesmo quem teve ou tem hepatite pode se tornar um doador de órgãos. Cada situação será avaliada individualmente pela equipe médica.

Minha família terá custos se eu quiser doar órgãos?
Não há custos para a família quanto à doação de órgãos e tecidos, embora os custos com o funeral continuem sendo de responsabilidade da família.

Se voce quiser ser um doador
Ligue 155 – disque transplante

 

Ministério da Saúde

REDOME

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